SUGESTÕES DA SEMANA

04/09/2020 — Sugestão da Semana por Maria Afonso | Position and integrity of the uterine scar is determined by cervical dilation at the time of Caesarean section

Por Maria Afonso | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia – Serviço de Obstetrícia, Departamento de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução – Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte.

A taxa de cesarianas tem vindo a aumentar e, com ela, o risco de complicações em gestações futuras, nomeadamente o acretismo placentário (AP). Dados publicados têm sugerido que o risco de AP é maior em mulheres com uma cesariana (CS) realizada na ausência de trabalho de parto (TP)do que quando se realiza no 1º ou 2º período do TP (Kamara M. BJOG.2013). A ausência do TP parece predispor à existência de um nicho uterino, um defeito na cavidade uterina, e, consequentemente, à implantação da placenta nesta zona de fragilidade numa futura gestação.

Neste estudo prospectivo avaliou-se a localização e integridade da cicatriz uterina de acordo com fase do TP em que foi realizada a CS (< 2cm dilatação vs 3-7cm dilatação vs > 8 cm dilatação). Quando CS foi realizada com < 2cm de dilatação, em 97% dos casos a cicatriz uterina encontrava-se acima do orifício interno do colo (OIC). Pelo contrário, quando a CS foi realizada entre os 8-10cm dilatação, em 98% dos casos a cicatriz uterina encontrava-se ao nível ou abaixo do OIC. A presença de nichos foi significativamente maior quando a cicatriz se encontrava acima do OIC do que quando se encontrava ao nível ou abaixo deste (38.1 vs 17.9%, p<0.001). O principal ponto forte deste estudo foi o facto dos ecografistas que realizaram a avaliação desconhecerem o momento do trabalho de parto em que foi realizada a CS. Apesar do número pequeno de casos (407), este estudo ajuda a compreender os mecanismos subjacentes à formação de nichos após uma CS na ausência de trabalho de parto, sendo este o grupo de mulheres em que é maior o risco de surgir AP.