Por Alexandra Matias, M.D PhD | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Medicina Fetal no Centro Hospitalar Universitário do S. João, Porto / Professora Associada com Agregação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
A prevenção da morte fetal é cada vez mais uma prioridade internacional dada a sua relevância epidemiológica (2,6 milhões/ano). A elaboração de modelos preditivos de morte fetal, combinando factores maternos, testes bioquímicos e marcadores ecográficos, tem por objectivo individualizar a orientação clínica e reduzir iatrogenia desnecessária. Esta revisão sistemática abrangeu 2751 artigos dos quais foram analisados 14 artigos. Estes apresentam 69 modelos de avaliação de risco (a maioria incluiu etnia, índice de massa corporal, avaliação Doppler do índice de pulsatilidade das artérias uterinas, PAPP-A e placental growth factor (PlGF), de modo a individualizar o subgrupo de risco para morte fetal.
A maioria dos estudos avaliados apresenta um elevado risco de enviesamento. Alguns destes modelos aplicados ao 1º trimestre de gravidez parecem ter algum benefício na estratificação precoce de risco fetal mas requerem ainda validação clínica. O estudo com melhor desempenho combinou características maternas, ecografia e PlGF no 2º trimestre para prever nado-mortos com poder discriminatório (AUC de 0,990). Modelos que incorporaram biomarcadores e achados ecográficos apresentaram melhor desempenho do que as características maternas isoladas. A intervenção baseada na redução da percepção de movimentos fetais na prevenção de morte fetal não mostrou qualquer benefício.
A mortalidade fetal constitui um desfecho heterogéneo relacionada com várias causas fisiopatológicas. É improvável que um único teste tenha sensibilidade suficientemente alta para prever todas as causas de perda fetal. O nível de risco que justifica a intervenção é uma decisão clínica que deverá ser individualizada sem que para já exista um modelo preditivo suficientemente válido.