SUGESTÕES DA SEMANA

18/09/2020 — Sugestão da Semana por Luísa Pinto | Delivery of monochorionic twins – lessons learned from the Twin Birth Study

Por Luísa Pinto | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Ginecologia / Assistente Convidada da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa / Serviço de Obstetrícia, Departamento de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução – Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte

Os estudos relativos à via de parto nos gémeos monocoriónicos são maioritariamente retrospetivos, incluem amostras pequenas e comparam desfechos de gestações monocoriónicas biamnióticas (MCBA) com os de gestações bicoriónicas (BC).

O Twin Birth Study (TBS) (Barett JFR et al, N Engl J Med, 2013) foi o único estudo multicêntrico, prospetivo, aleatorizado, controlado e de grande dimensão, sobre parto na gestação gemelar.

Este artigo constitui uma análise secundária dos dados do TBS, incluindo 670 grávidas (346 para cesariana eletiva e 324 para parto vaginal programado) e teve como objetivo primário comparar os desfechos maternos e neonatais de gestações MCBA programadas para cesariana eletiva ou para parto vaginal entre as 37semanas+5dias e as 38semanas+6dias. A idade média no parto (34semanas) foi semelhante nos dois grupos.

Não se verificaram diferenças nos desfechos maternos e o desfecho primário neonatal composto foi semelhante nos 2 grupos (gémeo A 1,2% vs 1,2%, p=0.92, gémeo B 1,2% vs 3,2%, p=0,09), para qualquer dos gémeos.

Os autores concluem que em gestações monocoriónicas entre as 32 e as 38 semanas, com pesos estimados dos recém-nascidos entre 1500 e 4000 gramas e 1º feto cefálico, a tentativa de parto vaginal é segura para a grávida e para os recém-nascidos.

Apesar da principal limitação deste estudo – não ter sido planeado para esta subanálise – a sua mais-valia é reforçar, com dados prospetivos, a segurança do parto vaginal nos gémeos monocoriónicos nas condições acima referidas, permitindo-nos um aconselhamento mais fundamentado.

Salientar que a idade gestacional para terminar eletivamente a gravidez se situou entre as 38s+5d e as 39s+6d, enquanto que a prática atual na maioria dos centros é a interrupção da gravidez às 36-37 semanas e que, apesar de não atingir significância estatística, o risco de desfecho primário neonatal composto foi quase o dobro no 2º gémeo nascido de parto vaginal, relativamente ao 2º gémeo nascido por cesariana.