SUGESTÕES DA SEMANA

02/10/2020 — Sugestão da Semana por Ana Teresa Martins | Soluble fms-like tyrosine kinase to placental growth factor ratio in different stages of early-onset fetal growth restriction and small for gestational age

Por Ana Teresa Martins | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia Ginecologia / Centro de Diagnóstico Pré-Natal e Terapia Fetal/ Maternidade Dr. Alfredo da Costa – CHULC / Assistente Convidada da Nova Medical School – Lisboa, Portugal

Diminuir a prematuridade iatrogénica mantém-se um importante objetivo da obstetrícia atual.

Em 2006, Ananth relatou que a Restrição de Crescimento Fetal (RCF), a Pré-Eclâmpsia (PE) e o Descolamento Pré-Termo de Placenta Normalmente Inserida (DPPNI) representam distintas manifestações clínicas da Síndrome de Insuficiência Placentária, responsável por mais de 50% dos partos pré-termo iatrogénicos.

A RCF precoce de causa placentária pode ser alvo de predição e estudo, não só pela avaliação Doppler, mas também pelos fatores angiogénicos (sFlt1 e PLGF).

Este é o primeiro estudo que compara os valores séricos da razão sFlt1/PLGF com os desfechos materno-fetais nas RCF precoces e nos fetos constitucionalmente pequenos.

É um estudo caso-controle prospetivo conduzido pelo grupo de Elena Carreras, entre julho de 2017 e julho de 2019. Inclui 175 casos referenciados por Estimativa de Peso Fetal (EPF)< P10 (estratificados pela gravidade da RCF) e um grupo controle constituído por 32 grávidas com EPF > P10 e sem complicações conhecidas.

Os autores demonstraram a capacidade discriminativa da razão sFlt1/PLGF para desfechos perinatais negativos nos diferentes grupos em estudo.

Os pontos fortes são o desenho e o estabelecimento de intervalos da razão sFlt-1/PlGF, para distinguir os diferentes estadios de gravidade de RCF (com boa sensibilidade e especificidade) contribuindo para o progresso nesta área de investigação. Contudo, o recrutamento dos casos numa unidade de referência para RCF, a classificação da gravidade da RCF e a pequena dimensão do grupo controle limitam a extrapolação para a população de baixo risco.

Estabelecida a boa correlação entre o perfil angiogénico e os desfechos perinatais desfavoráveis nas RCF precoces e graves sem PE, mais estudos são necessários para a inclusão destes marcadores nos protocolos de conduta clínica da RCF com capacidade para identificar os fetos em risco de desfechos adversos e prolongar, com segurança, o intervalo entre o diagnóstico e o parto.