SUGESTÕES DA SEMANA

11/12/2020 — Sugestão da Semana por Sofia Bessa Monteiro | Vaginal bleeding and nausea in early pregnancy as predictors of clinical pregnancy loss

Por Sofia Bessa Monteiro | Assistente Hospitalar de Ginecologia/Obstetrícia – Serviço de Obstetrícia – Centro Hospitalar Universitário de São João

As náuseas e perda hemática na gravidez precoce são de tal forma comuns que se banalizaram na prática clínica – mas sabemos claramente qual o seu significado na fisiopatologia da perda de uma gravidez?

O objectivo deste estudo foi avaliar se existia um padrão e uma cronologia desta sintomatologia que pudesse prever o risco de perda. Os autores utilizaram uma coorte de 701 mulheres incluídas durante a pré-concepção no estudo EAGeR (Effects of Aspirin in Gestation and Reproduction 2006-2012). A utilização desta coorte, com um registo diário da sintomatologia (com adesão ao registo de pelo menos 71%) tão precocemente quanto a 2ª semana de gestação, bem como a sua avaliação prospectiva, representa um dos pontos fortes deste artigo. No entanto, serem predominantemente mulheres brancas, de elevado nível socio-económico e com história prévia de abortamentos limita a generalização dos resultados.

Foi estimado o risco de perda de gravidez para cada padrão de combinações de sintomas (presença/ausência de hemorragia e náuseas/vómitos), da 2ª à 8ª semana de gravidez.

À semelhança da idade, do índice de massa corporal e da pressão arterial pré-concepção [área abaixo da curva (AUC), 0.81, intervalo de confiança (IC) 95%,0.78-0.88), as náuseas e a hemorragia são factores de risco de perda de gravidez (AUC, 0.87; IC 95%, 0.81-0.88)

O maior risco de perda ocorreu nas mulheres com hemorragia sem náuseas às 6-8 semanas de gravidez. Estas apresentaram um acréscimo de 56% no risco de perda se comparadas com mulheres com náuseas e sem hemorragia no mesmo período.  A ausência de náuseas associada a perda hemática durante as 6-8 semanas de gravidez, resultou em 11 mulheres com perda de gravidez para uma com filho vivo.

Estes resultados permitem vislumbrar modelos de aconselhamento baseados na variação e cronologia de sintomas comuns, da maior importância dada a frequência e consequências destas perdas fetais.