SUGESTÕES DA SEMANA

25/12/2020 — Sugestão da Semana por Carla Francisco | New approach for estimating risk of miscarriage after chorionic villus sampling

Por Carla Francisco | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Beatriz Ângelo / Assistente Convidada de Obstetrícia e Ginecologia da Nova Medical School

O risco de aborto após uma biópsia das vilosidades coriónicas (BVC) é um elemento fundamental no aconselhamento obstétrico, mas que, embora bastante investigado e discutido, continua a ser controverso. Grande parte da discrepância nos estudos surge porque os factores associados a um aumento do risco de aneuploidias e eventual necessidade de uma BVC (idade materna avançada, translucência da nuca aumentada, PAPP-A baixo) aumentam por si só o risco de aborto espontâneo.

O objectivo principal deste estudo multicêntrico, que avaliou 25863 gestações, foi o de calcular o acréscimo de risco de perda fetal atribuível apenas ao procedimento invasivo.

Os autores demonstraram que o risco de aborto após a BVC está inversamente relacionado com o risco de aneuploidias. Assim, no grupo com baixo risco de aneuploidias há um aumento do risco de perda fetal após BVC de cerca de 3 vezes em relação ao risco de base. Quando o risco de aneuploidias é alto, o risco de aborto está ​​paradoxalmente diminuído, provavelmente devido às interrupções de gravidez nas cromossomopatias diagnosticadas.

Destaco como pontos fortes deste estudo a dimensão da amostra, o ajuste para potenciais variáveis de confundimento e a utilização da mesma técnica de BVC por médicos com um nível de experiência semelhante. As principais limitações são as inerentes a um estudo observacional e retrospectivo.

O estudo confirma que o risco absoluto de aborto após uma BVC é de 1%, mas que este risco não pode ser atribuído apenas ao procedimento. Apesar do aumento relativo do risco de aborto após BVC nas grávidas com baixo risco de aneuploidias, em termos absolutos este risco continua a ser muito baixo. Portanto, quando há uma indicação clínica clara para um teste invasivo, o risco de aborto está mais relacionado com as caraterísticas da gravidez e resultado do cariótipo do que com o procedimento em si.