SUGESTÕES DA SEMANA

01/01/2021 — Sugestão da Semana por Ana Luísa Areia | Elective Labor Induction at 39 Weeks of Gestation Compared With Expectant Management: Factors Associated With Adverse Outcomes in Low-Risk Nulliparous Women

Por Ana Luísa Areia | Serviço de Obstetrícia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra- Coimbra, Portugal / Universidade de Coimbra • Faculdade de Medicina

Na atualidade, é fortemente questionada a necessidade de aguardar o início espontâneo do trabalho de parto até às 41 Semanas em gestações de baixo risco.

Este artigo efetua uma avaliação secundária do ARRIVE trial (indução eletiva do trabalho de parto (ITP) às 39 semanas de gestação em mulheres nulíparas de baixo risco vs. terapêutica expectante), em que os autores pretenderam responder à questão de se no grupo submetido a ITP às 39 semanas existiriam características maternas que poderiam fazer prever um melhor desfecho perinatal comparativamente à terapêutica expectante.

A conclusão do estudo revela que não há características que possam ser usadas para identificar um subgrupo de mulheres mais suscetíveis de beneficiar de terapêutica expectante em comparação com a ITP. Mais, nesta análise, a indução às 39 semanas de gestação foi associada a uma redução do risco de efeitos perinatais adversos (morte perinatal e complicações neonatais): 4.1% vs. 6.0% (P=0.003). Por outro lado, a frequência de lacerações perineais e de hemorragia pós-parto foi semelhante entre os grupos (lacerações: 3.5% vs. 3.2%, P=0.53; hemorragia pós-parto: 4.7% vs. 4.8%, P=0.94).

Os pontos fortes desta análise surgem do grande e robusto estudo a partir do qual é derivado (que incluiu 41 centros diversos, com análise de 5,007 mulheres), que tinham rigorosos critérios de inclusão, dados prospectivamente recolhidos, fiáveis e detalhados, com resultados clinicamente relevantes. As limitações são as inerentes a qualquer estudo observacional, bem como a generalização dos resultados.

Concluindo, a ITP às 39 semanas de gestação associou-se a uma redução do risco de efeitos perinatais adversos, não havendo possibilidade de prever com fiabilidade quais as mulheres mais propensas a ter esses efeitos adversos. Desta forma, nesta análise secundária não se conseguiu determinar as características das grávidas que beneficiariam de terapêutica expectante.