SUGESTÕES DA SEMANA

15/01/2021 — Sugestão da Semana por Ana Paula Machado | Adverse maternal and perinatal pregnancy outcomes related to very advanced maternal age in primigravida and multigravida in the Netherlands: a population based cohort

Por Ana Paula Machado | Assistente Hospitalar Graduada Ginecologia/Obstetrícia – Centro Hospitalar Universitário S. João

Nas últimas 3 décadas, temos vindo progressivamente a assistir ao protelar da gravidez para idades mais tardias. Esta situação, frequentemente motivada por fatores sócio-profissionais, está associada um aumento do risco de complicações na gestação.

Este estudo de coorte que apresento, tem como objetivo a avaliação dos desfechos adversos maternos e perinatais, em grávidas com ³40 anos, de acordo com a paridade. Os autores incluíram os partos ocorridos entre janeiro/2000 e dezembro/2018 com base no Dutch National Perinatal Registry, num total de 3700326 grávidas. Foram comparados os desfechos entre um grupo de referência (25-29anos)(n=1085447) e os grupos etários 40-44 anos(n=112952), 45-49 anos (n=4631) e ³50 anos (n=157), estratificado por paridade e controlados para forma de conceção, gravidez múltipla, grupo étnico e fatores sócio-económicos. Foram considerados desfecho primário a mortalidade materna/perinatal e secundários as complicações maternas/perinatais frequentes e taxa de cesariana.

Nesta população com 3.2% das grávidas ³40  anos, a mortalidade materna, embora rara, foi significativamente maior nas multíparas ³50 anos. A mortalidade perinatal, significativamente mais elevada em primíparas (2-3x) e multíparas (2-4x), aumentou progressivamente com a idade materna.

Quanto aos desfechos secundários, eles foram significativamente mais frequentes e com aumento da magnitude do risco, com o avançar da faixa etária. De realçar nas primíparas, a doença hipertensiva, 10 vezes mais prevalente após os 50 anos, e a taxa de cesariana 6-7 vezes maior após os 45 anos. Nas multíparas, de referir também as doenças hipertensivas, com um risco 5 vezes maior, e 4 vezes mais cesarianas e Apgar<7 ao 5ºminuto, após os 50 anos. Este trabalho tem como principal ponto forte o tamanho amostral, mas está limitado por ser um estudo retrospetivo, com possibilidade de viés de registo. É, no entanto, um importante instrumento de trabalho no auxílio ao desenvolvimento de orientações e aconselhamento a grávidas em faixas etárias avançadas.