SUGESTÕES DA SEMANA

12/02/2021 — Sugestão da Semana por Teresa Loureiro | Fetal growth velocity standards from the Fetal Growth Longitudinal Study of the INTERGROWTH-21(st) Project

Por Teresa Loureiro | Professora Auxiliar Convidada da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa / Assistente Hospitalar Graduada do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, EPE

A avaliação do crescimento fetal é um importante objetivo da vigilância pré-natal. A ecografia possibilita a antropometria do feto e esta é usada rotineiramente como avaliação indireta do seu tamanho. Os dados obtidos são comparados com curvas de referência disponíveis na literatura, criadas a partir de populações díspares e com metodologias diversas. A seleção das mesmas é ainda dependente da avaliação crítica do ecografista, da orientação escolar do Centro de Diagnóstico Pré-Natal ou da acessibilidade em programas como o Astraia® ou ViewPoint®. A partir da informação retirada deste processo, as biometrias nos percentis de crescimento mais baixos são interpretadas como marcadores de restrição, conduzindo a uma identificação de fetos com risco aumentado de mau desfecho perinatal e consequente modificação da atitude clínica. No entanto, tamanho e crescimento não são termos sinónimos. A apreciação do crescimento envolve avaliações da antropometria fetal ao longo do tempo. Neste estudo, os autores descrevem tabelas de velocidade de crescimento através da aplicação de biometrias fetais obtidas por ecografia, cumprindo critérios de mensuração estandardizados utilizados na coorte do projeto INTERGROWTH-21. Pela primeira vez, é feita uma avaliação longitudinal do crescimento fetal em populações internacionais de grávidas de baixo risco. Um dos resultados interessantes deste artigo é a demonstração da disparidade da velocidade de crescimento das diversas estruturas fetais. O pico do crescimento é observado entre as 16-17 semanas para o esqueleto e abdómen, mas os achados sugerem que o crescimento do esqueleto é um processo biológico com maior velocidade na primeira metade da gravidez, contrastando com o crescimento do perímetro abdominal, que se mantém estável ao longo da mesma. Estas curvas poderão ser vantajosas como complemento das referências atualmente usadas, no entanto a sua utilização prática pode ser complexa e os resultados de difícil interpretação.