Por Luísa Martins | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia Ginecologia / Hospital CUF Descobertas – Lisboa
Sendo o parto pré-termo (PPT) uma das principais causas de mortalidade e morbilidade perinatal nos países ocidentais, a sua predição é uma preocupação em Obstetrícia.
Este artigo tem como objetivo primário analisar a performance diagnóstica do colo curto (≤25mm), avaliado por ecografia no segundo trimestre, na predição do PPT, em gestações simples e sem fatores risco para PPT.
Trata-se de um estudo prospetivo, duplamente cego, realizado em 7 centros hospitalares na Suécia com uma amostra de 11456 gravidas. Foram realizadas avaliações cervicais em exame de rotina ecográfica do 2º trimestre, em dois períodos: 18 e 20semanas e 6 dias (11072 gravidas); 21 e 23semanas e 6 dias (6288 grávidas); e em ambos os períodos (6179 grávidas).
O outcome primário foi avaliar o PPT entre as 22-32 semanas e 6 dias. Como resultados o PPT (< 33 semanas) ocorreu em 0,5% no 1ºgrupo e 0,4% no 2º grupo. A prevalência do colo curto foi de 4,0% no 1º grupo e de 4,4% no 2º. Neste trabalho a capacidade de predição do PPT pela avaliação do colo por ecografia no 2º trimestre, foi baixa apresentando uma melhor performance quando realizada mais tardiamente. Como pontes fortes saliento o facto de ser um estudo prospetivo, duplamente cego, multicêntrico e com uma amostra de volume considerável. Menos favorável foi o facto de terem sido incluídas apenas 54% do grupo de grávidas inicialmente elegiveis para o estudo. Como conclusão os autores consideram que a avaliação do comprimento do colo por ecografia no 2º trimestre, numa população com baixa prevalência de PPT, tem um fraco valor preditivo do PPT e que antes de ser utilizada como rastreio universal devem ser realizados mais estudos.