Por Telma Almeida | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia e Obstetrícia – ULSM, Hospital Pedro Hispano, Matosinhos
Este artigo aborda um tema de grande destaque no contexto atual de pandemia, sendo relevante a sua importância face às dúvidas relacionadas com a vacinação na grávida pois estas e mulheres a amamentar foram excluídas nas primeiras fases da vacinação, faltando assim dados para melhor orientar uma decisão de vacinar durante a gravidez.
O objetivo deste estudo prospetivo coorte de dois centros médicos académicos, foi o de avaliar a imunogenicidade e reactogenicidade da vacina COVID-19 mRNA em grávidas e mulheres a amamentar em comparação com 2 controlos: mulher não grávida e mulheres com infeção natural covid-19 durante a gravidez. Foram analisados: os titulos séricos e do leite materno basais do SARS-CoV2 spike; IgG, IgA e IgM materno, após a segunda dose de vacina; e 2 a 6 semanas após a segunda dose e na altura do parto. Os titulos séricos no cordão umbilical também foram medidos na altura do parto. Os titulos foram comparados com os titulos de grávidas infetadas naturalmente (medidos entre 4 a 12 semanas de diagnóstico).
Os resultados demonstraram que os titulos de anticorpos induzidos pela vacina foram equivalentes em grávidas e mulheres a amamentar em comparação com não grávidas. Todos os titulos foram significativamente maiores do que aqueles induzidos pela infeção natural durante a gravidez. Os anticorpos gerados pela vacina estiveram presentes em todas as amostras de sangue do cordão umbilical e do leite materno. Em ambas amostras, a segunda dose da vacina aumentou IgG específica SARS CoV-2, mas não a IgA. Não se registaram diferenças na reactogenicidade nos grupos em estudo.
Em conclusão, apesar do número reduzido de participantes (n=131), o estudo mostrou que a vacina COVID-19 mRNA gerou imunidade humoral robusta em grávidas e em mulheres a amamentar sendo a resposta induzida significativamente superior à da infeção natural.