Por Sofia Franco | Assistente Hospitalar Graduada no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra – Serviço de Obstetrícia A – Maternidade Dr. Daniel de Matos
Este artigo é uma revisão sistemática com meta-análise que estuda a eficácia da utilização da genotipagem RHD (GTRHD), com a metodologia do ADN fetal circulante no sangue materno (ADNfcSM) – Teste Pré-Natal Não Invasivo no Sangue Materno (TPNNISM), na orientação clínica das gestações de mãe RHD negativas.
A sensibilidade e especificidade obtidas na determinação do genótipo RHD fetal foi respetivamente de 99,3% e de 98,4%, com intervalo de confiança de 95% para um valor de P < 0,001 (98,7-99,7% e 97,4%-99%, respetivamente). A tecnologia utilizada foi a Polymerase Chain Reation em Tempo Real (PCR-TR), com análise de pelo menos 2 exões do gene RHD. Vários estudos têm demonstrado o impacto positivo da sua utilização: evitar a realização de imunoprofilaxia desnecessária (riscos da administração de hemoderivados) em mães RH negativas com feto RHD negativo e simultaneamente, determinar os fetos em risco de isoimunização RHD, planeando as intervenções futuras. A avaliação financeira tem demostrado, infelizmente, um acréscimo de custos diretos em saúde de 255 € por paciente, quando utilizada esta metodologia, em desfavor da atual (administração de Ig anti-D a grávidas RHD negativas). Os receios associados à implementação da técnica são os resultados falsamente positivos, negativos ou inconclusivos, que poderiam ser reduzidos, utilizando a amplificação de múltiplos exões do gene RHD e usando a técnica entre as 11-24 semanas de gestação. Em conclusão, existe evidência para o uso do TPNNISM para GTRHD, com o objetivo da imunoprofilaxia seletiva de grávidas RHD negativas com fetos RHD positivos e para a orientação clínica pré-natal de fetos RHD positivos. A aplicação do TPNNISM na GTRHD não evitará completamente o risco de doença hemolítica do feto/recém-nascido, nos casos de aloimunização aos outros grupos sanguíneos não-RHD. Futuramente, serão necessários estudos adicionais, em populações com maior diversidade étnica, para avaliar o impacto da genotipagem não-RHD pelo ADNfcSM.