Por Ana Luísa Areia | Serviço de Obstetrícia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra- Coimbra, Portugal / Universidade de Coimbra – Faculdade de Medicina
A aspirina é um agente eficaz para reduzir a incidência da pré-eclâmpsia pré-termo (PE-PT), mas numa proporção de mulheres de alto risco, o seu uso não impede o aparecimento desta patologia.
Este artigo constitui análise secundária dos dados do ensaio ASPRE, cujo objetivo foi examinar os possíveis fatores de risco entre características maternas, história médica e obstétrica, biomarcadores específicos da pré-eclâmpsia e riscos estimados relacionados com o desenvolvimento da PE-PT, apesar da profilaxia com aspirina.
A população do estudo consistiu em grávidas unifetais consideradas de alto risco para PE-PT com base no algoritmo da Fetal Medicine Foundation, que aleatoriamente efetuaram aspirina (150 mg/dia) versus placebo; recrutaram 1.592 mulheres, cuja incidência de PE-PT foi de 3,0%.
Após avaliação de todas as variáveis de estudo, esta investigação concluiu: primeiro, na previsão da PE-PT há uma interação significativa entre o uso de aspirina e a hipertensão crónica. Assim, mulheres de alto risco com hipertensão crónica tratadas com aspirina permanecem em alto risco, enquanto que, a utilização de aspirina em mulheres sem hipertensão crónica está associada a uma redução significativa de PE-PT. Segundo, nas mulheres com resultados de muito alto risco (risco estimado ≥1 em 50), em comparação com risco estimado de 1 em 51 para 1 em 100, existe um risco maior de desenvolver PE-PT. Em terceiro lugar, a baixa concentração de PlGF (<0.712 MoM) está associada ao desenvolvimento de PE-PT, apesar da profilaxia com aspirina. Esta análise secundária baseou-se em dados bem recolhidos num RCT mas este estudo só foi capaz de demonstrar fatores de risco entre fatores maternos, biomarcadores e riscos estimados, não permitindo uma análise exploratória de outras causas de desenvolvimento da PE-PT, apesar da profilaxia com aspirina. Assim, este artigo ajuda a determinar quem precisamos de acompanhar mais minuciosamente durante a gravidez, apesar da profilaxia com aspirina.