Por Sara Tavares | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia – Centro Hospitalar Universitário de São João
A rotura uterina é uma emergência obstétrica com morbilidade e mortalidade, tanto materna quanto perinatal, significativa. O principal fator de risco para rotura uterina é o parto prévio por cesariana. Sabe-se que existem fatores como o tipo de incisão uterina prévia que aumentam este risco. O parto pré-termo por cesariana tem sido apresentado como um possível fator de risco adicional para rotura uterina. Assim, a conduta perante este tipo de situações pode gerar algumas dúvidas.
O estudo publicado no AJOG teve como objetivo avaliar o risco de rotura uterina em trabalho de parto em mulheres com uma cesariana anterior pré-termo comparativamente com mulheres com uma cesariana anterior a termo.
Este estudo de coorte populacional avaliou o desfecho do parto subsequente em 9300 mulheres com antecedentes de parto por cesariana pré-termo e 57168 mulheres com antecedentes de parto por cesariana a termo. O desfecho principal foi rotura uterina; foram também avaliados outros desfechos secundários nomeadamente o descolamento de placenta.
Ocorreu rotura uterina em 1,1% dos casos do grupo de cesariana anterior pré-termo e em 1,4% no grupo de cesariana anterior a termo sendo que esta diferença não foi estatisticamente significativa após ajuste para fatores de confundimento exceto em intervalos > a 36 meses entre partos.
Os autores concluíram que não só não existe um risco aumentado de rotura na cesariana anterior pré-termo como parece haver uma diminuição do risco quando comparada com cesariana a termo em intervalos > a 36 meses entre partos. Existe, no entanto, um risco aumentado de descolamento de placenta que se manteve após ajuste para fatores de confundimento.
Como pontos fortes deste estudo são de referir a natureza prospetiva do mesmo e o tamanho da amostra. As limitações prendem-se com a ausência de dados sobre os métodos de maturação cervical e progressão do trabalho de parto.