Por Luís Guedes-Martins | Professor Auxiliar de Obstetrícia – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (Universidade do Porto) / Assistente Hospitalar – Obstetrícia/Ginecologia / Diretor do Centro de Medicina Fetal (Medicina Fetal Porto) – Centro Materno Infantil do Norte (Centro Hospitalar Universitário do Porto)
A ecocardiografia fetal é usada predominantemente para diagnosticar doenças cardíacas congénitas e também pode ser usada para avaliar a função cardíaca fetal, utilizando uma variedade de parâmetros.
Os autores deste trabalho demonstraram que a medição da fracção de enchimento (FEnch) e fração de ejecção (FE) recorrendo a Doppler pulsado é suficientemente reprodutível para ser utilizado na prática clínica corrente. Adicionalmente, este trabalho prospectivo determinou os intervalos de referência para FEnch e FE entre as 18 a 41 semanas de gestação em fetos normais (n= 602) e o seu potencial de aplicação clínica foi avaliado em gestações de alto risco (n=54, síndrome de transfusão feto-fetal, estenose aórtica e coarctação da aorta). São pontos fortes deste trabalho o rigor no desenho do estudo, a uniformidade técnica das medições efetuadas e o tamanho amostral relativo à população ‘normal’. Os principais pontos fracos são a limitação do tamanho amostral relativo aos fetos com patologia cardíaca e a ausência de controlo com outros parâmetros de avaliação da função cardíaca global nesta população (como por exemplo, o índice de performance miocárdica). Não obstante, ficou realçada a importância destes marcadores de função cardíaca fetal em cenários de síndrome de transfusão feto-fetal e estenose valvular aórtica.