Por Mariana Torgal | Assistente Hospital de Ginecologia e Obstetrícia / Unidade de Alto Risco Obstétrico do Hospital CUF Descobertas
A constatação de uma variedade posterior no decurso do trabalho de parto, em apresentação cefálica, está associada a taxas inferiores de parto eutócico (PE) e superiores de parto vaginal instrumentado e cesariana, assim como de maior morbilidade neonatal, quando comparada com variedades anteriores.
Numerosos estudos focaram-se em diversas estratégias para converter variedades posteriores em anteriores e assim reduzir a morbilidade materno-fetal.
Este estudo pretende avaliar se a rotação manual das variedades posteriores, em dilatação completa, aumenta a taxa de PE. A comparação das taxas de parto vaginal instrumentado, de cesariana e da morbilidade materno-fetal foram os objetivos secundários considerados.
Apesar do tempo desde a randomização até ao parto ter sido menor no grupo submetido a rotação manual, entre os dois grupos não foi significativa a diferença da taxa de PE, de partos vaginais instrumentados e de cesariana. As perdas hemáticas, a taxa de episiotomia e de lesão obstétrica do esfíncter anal foram semelhantes. As características neonatais e a duração da hospitalização materna e dos recém-nascidos foram equivalentes. Não houve registo de complicações sérias.
Trata-se de um estudo controlado e randomizado, com 2 braços paralelos balanceados. Como outros pontos fortes são de salientar o tamanho da amostra de acordo com as indicações estatísticas, a estratificação com a paridade e a confirmação ecográfica da variedade posterior assim que se constatou a dilatação completa em todos os casos incluídos. Como pontos fracos refere-se que, apesar dos autores descreverem técnicas de rotação manual, não ter sido avaliada a taxa de PE de acordo com a técnica utilizada.
Este estudo não identificou benefício na rotação manual de variedades posteriores em dilatação completa, além da redução do tempo do 2º estadio do trabalho de parto.