Por Alexandra Cadilhe | Assistente Graduada de Obstetrícia – Coordenadora da Unidade de Medicina Fetal e Diagnóstico Pré-Natal (UMFDPN) do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital de Braga.
O possível aumento de casos de COVID-19 secundário à diminuição das medidas de restrição e à probabilidade de surgirem novas mutações, mantém a importância da vacinação e investigação clínica nos diversos grupos em geral. As grávidas só recentemente foram incluídas em ensaios clínicos que se tornaram de particular relevância. Este artigo teve como objetivo investigar a aceitação e segurança da vacinação COVID-19 numa população de grávidas.
Trata-se de um estudo de coorte retrospetivo em 1.328 mulheres grávidas, com parto no St George’s University Hospitals- Londres entre 1 de março e 4 de julho de 2021, das quais 140 (de 491 elegíveis) receberam pelo menos 1 dose da vacina COVID-19 antes do parto. Das vacinadas, 14,3% foram-no no segundo trimestre e 85,7% no terceiro trimestre de gravidez; 90,7% receberam uma vacina de RNA mensageiro e 9,3% uma vacina de vetor viral. Das grávidas elegíveis para vacinação apenas 28,5% a aceitaram, tendo a taxa de vacinação sido inferior nas mais jovens, de classes socioeconómicas inferiores e de etnia não branca. As mulheres com diabetes prévia à gravidez, consumo habitual de medicamentos e hipertensão crónica aderiram mais à vacinação. Os desfechos obstétricos das mulheres que receberam pelo menos 1 dose da vacina foram similares aos das grávidas não vacinadas.
Como ponto forte salienta-se que foi utilizada uma coorte de mulheres grávidas vacinadas, as quais foram emparelhadas com um grupo controle de grávidas não vacinadas, contemporâneas e com perfis de risco semelhantes utilizando o método de propensity score. Como limitações, destaca-se o curto espaço de tempo a que se reporta o estudo, o número de grávidas vacinadas, o tempo médio até ao nascimento após a vacinação e nenhuma grávida ter sido vacinada no primeiro trimestre.
Em conclusão, este estudo contribuiu para a evidência de que a vacinação contra a COVID- 19 na gravidez é segura e não altera os desfechos perinatais. Salienta que menos de um terço das grávidas elegíveis aceitou a vacinação, reforçando a necessidade de sensibilização das grávidas e dos profissionais de saúde para a segurança da vacina e de se criarem estratégias de combate à baixa adesão.