SUGESTÕES DA SEMANA

26/11/2021 — Sugestão da Semana por Inês Rato | Obstetric anal sphincter injury after episiotomy in vacuum extraction: an epidemiological study using an emulated randomized trial approach

Por Inês Rato | Assistente Hospitalar de Ginecologia- Obstetrícia, Centro Hospitalar do Oeste – Hospital de Caldas da Rainha

Este trabalho pretende simular um estudo controlado e aleatorizado (RCTs) para investigar o papel da episiotomia na redução da prevalência de lesões obstétricas do esfíncter anal (OASIS), em nulíparas com parto com aplicação de ventosa.

As OASIS são complicações do parto vaginal e uma das principais causas de incontinência fecal feminina, bem como de dispareunia e dor perineal. O parto vaginal instrumentado é reconhecido como um dos principais fatores de risco para ocorrência de OASIS. A prevalência de OASIS em nulíparas é de 0.1-5% dos partos espontâneos e em 1.5-28.1% dos partos com ventosa (PV). A realização de episiotomia lateral ou medio-lateral mostrou em estudos observacionais reduzir a taxa de OASIS nos PV de mulheres nulíparas, sendo um procedimento recomendado. Tema este na linha do dia quando tanto se fala de “violência obstétrica”.

Numa amostra selecionada de 63654 mulheres nulíparas com partos por ventosa, a prevalência de OASIS foi de 15.02% sem episiotomia e 12.32% com episiotomia. Para prevenir uma OASIS foi necessário realizar 27 episiotomias. Este estudo confirmou resultados de publicações anteriores: a episiotomia lateral ou medio-lateral é protetora de OASIS em PV de nulíparas.

Como ponto forte destaca-se a utilização da base de dados “Swedish Medical Birth Register”, contornando dificuldades na realização de RCTs nesta matéria (viés de seleção, elevado número de casos para poder de amostragem; dificuldade na adesão à episiotomia planeada). Como pontos fracos destacam-se a impossibilidade de aferir outros fatores que podem subestimar a validade da episiotomia: técnica utilizada (incisão, tamanho, ângulo), experiência do executante e indicação percecionada para episiotomia.

O próximo passo na investigação será a identificação de fatores de risco para OASIs usando modelos preditivos obtidos de bases de dados nacionais, bem como o estudo de resultados a longo prazo.