SUGESTÕES DA SEMANA

07/01/2022 — Sugestão da Semana por Ana Luísa Areia | Expectant management of preterm premature rupture of membranes at 34 weeks: a cost effectiveness analysis

Por Ana Luísa Areia | Serviço de Obstetrícia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra / Universidade de Coimbra – Faculdade de Medicina

O objetivo deste estudo foi avaliar em mulheres com rotura prematura das membranas pré-termo (PPROM) às 34 semanas efetuar terapêutica expectante (TE) até às 37 semanas versus parto imediato, em termos de resultados clínicos e custo-eficácia.

Através dum modelo de custo-eficácia, compararam-se os resultados clínicos incluindo morte fetal, sépsis e morte neonatal, atraso no desenvolvimento neurológico, recém-nascido saudável, sépsis e morte materna, custos e anos de vida ajustados para a qualidade (QALY). As variáveis foram obtidas da literatura e foi estabelecido um limiar de custo-eficácia de 100.000 dólares por QALY.

Os resultados deste modelo revelaram que a TE produziu menos mortes neonatais e menos casos de atrasos neonatais no desenvolvimento neurológico. No entanto, originou mais casos de sépsis neonatal e de sépsis materna. Assim, a TE demonstrou ser a estratégia dominante ao proporcionar mais saúde (3.531 QALY) com um custo menor (poupança de 71,9 milhões de dólares por ano). A análise da sensibilidade demonstrou que a TE era rentável até um custo semanal da admissão anteparto de $17.536 ou um risco de septicemia materna na sequência de infeção intra-amniótica atingir 20%.

Este estudo é único uma vez que o modelo considera o aumento dos riscos e as diferenças de custos associados a cada semana adicional que se prolonga a gravidez com TE; além disso, apresenta resultados robustos e com importante significado clínico, não se restringindo a uma população particular. Como limitações podemos realçar que não foram contempladas todas as possíveis morbilidades perinatais e os dados utilizados nos modelos foram os publicados na literatura, passíveis de viés.

Como conclusão, este modelo demonstrou que a TE da PPROM com 34 semanas produziu melhores resultados e a um custo inferior ao do parto imediato. Esta análise é importante e oportuna à luz de estudos recentes que sugerem melhores resultados neonatais com TE.