Por Susana Santo | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Ginecologia – Serviço de Obstetrícia – Hospital de Santa Maria – CHULN / Professora Auxiliar da FMUL
A rotura prematura de membranas (RPMPT) complica cerca de 3% das gestações, sendo uma causa importante de parto pré-termo. A atitude expectante, com indução do trabalho de parto às 36-37 semanas, é geralmente a conduta preconizada na RPMPT. Em alguns países, as grávidas com RPMPT são vigiadas em regime de ambulatório. Diversos estudos têm demonstrado que, em casos selecionados, esta conduta é segura e pode ter um impacto positivo no tempo de latência até ao parto.
O presente estudo pretendeu identificar os fatores associados a um menor tempo de latência até ao parto, em grávidas vigiadas em ambulatório. É um estudo retrospetivo, realizado num único centro hospitalar, tendo sido avaliado o número de dias até ao parto e calculado um ratio inovador que foi o ratio de latência (razão entre tempo de latência real e a latência expectável até ao momento da indução), que parece ter maior relação com os desfechos neonatais. Foram incluídas 234 grávidas, que eram inicialmente internadas, realizavam indução da maturidade fetal com corticoides, antibiótico e tocólise, se necessário. Ao fim de 5-7 dias após a RPMPT era ponderada a possibilidade de alta para o domicílio (se ausência de infecção, dilatação inferior a 3cm, residência a menos de 30min do hospital). O tempo médio de latência foi de 35.5 ± 20.7 dias, com um ratio de latência de 80%. Um ratio de latência baixo esteve associado a oligoâmnios (maior lago <2cm), idade gestacional da RPMPT, contagem de leucócitos <12×109/l e PCR >5mg/l aos 7 dias após rotura. O comprimento do colo não se associou a um tempo de latência mais curto.
Em casos selecionados a grávida com RPMPT pode ser vigiada em ambulatório e a existência de oligoâmnios deve ser tida em conta no aconselhamento ao casal e na decisão da vigilância em regime ambulatório vs hospitalar.