Por Belisa Vides | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia – Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim / Vila do Conde
A obesidade materna além de aumentar o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares, associa-se a maus desfechos obstétricos. Estudos recentes demonstraram que o tratamento de mulheres com obesidade grave (IMC > 35 Kg/m2) com cirurgia bariátrica (CB) reduz significativamente o risco de complicações obstétricas.
Este estudo coorte retrospetivo comparou, durante 12 anos (Jan/2007 – Dez/2018), em 15 hospitais e 234 clínicas na Califórnia, grávidas com heterogeneidade racial e étnica elegíveis a CB mas não submetidas à mesma (n= 18.327) com grávidas submetidas a CB antes da gravidez (n= 1886) e, posteriormente, com parto após as 20 semanas.
Como resultados, a CB foi associada a uma redução do risco de diabetes gestacional, pré-eclampsia, eclâmpsia, corioamniotite, macrossomia, parto por cesariana, admissão na unidade de cuidados intensivos neonatais e infeção da ferida operatória. A magnitude da associação não variou de forma significativa com a categoria de obesidade pós cirúrgica pré gravidez, o intervalo entre a cirurgia e a gravidez subsequente, a presença de co morbilidades maternas, as diferenças étnicas e raciais e as técnicas cirúrgicas utilizadas (gastrectomia com sleeve vertical vs by pass em Y de Roux). Por outro lado, também se verificou uma associação da CB a recém nascidos leves para a idade gestacional e hemorragia pós-parto.
Os autores identificam como pontos fortes do estudo o tamanho e heterogeneidade da amostra, a definição clara dos grupos e a análise estratificada por IMC pós CB pré gravidez, co morbilidades maternas e tipo de CB tendo em conta as diferenças adquiridas nos 2 grupos (CB vs sem CB).
Estes dados sugerem que apesar dos benefícios da CB bariátrica prévia á gravidez, deve haver uma monitorização adequada para redução do risco de recém nascidos leves para a idade gestacional e hemorragia pós-parto observados neste grupo.