SUGESTÕES DA SEMANA

01/04/2022 — Sugestão da Semana por Inês Martins | Individualized treatment of preterm PROM to prolong the latency period, reduce the rate of preterm birth, and improve neonatal outcome

Por Inês Martins |  Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia – Serviço de Obstetrícia – Hospital Santa Maria / CHULN

Reduzir a taxa de prematuridade continua a ser um dos grandes desafios da Obstetrícia. A intervenção medicamentosa com antibioterapia empírica é uma prática estabelecida nos casos de RPM-PT, condição associada a cerca de 1/3 dos casos de PPT, por permitir prolongar a latência até ao parto. Os esquemas antibióticos preconizados são, contudo, díspares entre instituições e muitas vezes de largo espectro, com o objetivo de resolver uma eventual infeção subclínica por agente desconhecido. Sendo cada vez mais evidente a problemática da resistência aos antibióticos, identificar o agente infecioso e dirigir a terapêutica instituída seriam medidas relevantes, sobretudo se associadas à melhoria do desfecho clínico – neste caso o prolongar da latência e redução do PPT.

Este estudo compara a intervenção nos casos de RPM-PT entre dois centros terciários diferentes, englobando 513 grávidas durante 4 anos: intervenção standard com antibioterapia empírica vs intervenção individualizada com realização de amniocentese, avaliação bioquímica e cultural do LA e antibioterapia ajustada aos resultados.  Mostra um aumento significativo da taxa de latência >7dias (41,6 vs 76%, desfecho primário – amostra suficiente) e latência até ao parto, redução do PPT <32 semanas e da necessidade de ventilação do RN ao 28ºdia – sem aumento da corioamnionite histológica. São várias as limitações/confundidores impossibilitando avaliar a que intervenção se deveu a melhoria dos desfechos entre grupos, a destacar: diferentes regimes antibióticos iniciais e diferente abordagem quanto a tocólise e ciclo de resgate da indução maturativa fetal. São dados relevantes sobre a avaliação do LA: 30,4% com infeção microbiana – destes, 65% a Ureaplasma spp e 15% com necessidade de ajuste da antibioterapia pelo TSA. Conhecer o padrão local de sensibilidade e resistência aos antibióticos do Ureaplasma spp e ajustar a terapêutica empírica nos casos de RPM-PT poderá melhorar os desfechos perinatais? Estaríamos disponíveis e dispostos a fazer esta investigação a nível nacional?