SUGESTÕES DA SEMANA

15/04/2022 — Sugestão da Semana por Alexandra Cadilhe | First-trimester ultrasound detection of fetal heart anomalies: systematic review and meta-analysis

Por Alexandra Cadilhe |  Assistente Graduada de Obstetrícia. Unidade de Medicina Fetal e Diagnóstico Pré-Natal / do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital de Braga

As cardiopatias congénitas são as malformações estruturais mais prevalentes (8/1000 fetos) e a sua morbimortalidade pode ser alterada por um diagnóstico pré-natal precoce. O objetivo deste trabalho foi determinar a precisão diagnóstica da ecografia das 11-14 semanas na deteção de cardiopatias major na sua globalidade e individualização, e avaliar fatores com impacto nas taxas de deteção.

Realizou-se uma meta-análise de 63 estudos com um total de 328.214 fetos estudados.  Identificaram-se 1445 anomalias cardíacas na população de baixo risco – prevalência de 0,41%. Os casos diagnosticados no 1º trimestre representaram 63,67% do total de cardiopatias com diagnóstico pré-natal. Na população de alto risco, identificaram-se 480 anomalias, a que corresponde uma prevalência de 1,36 %, e 79,86% do total de cardiopatias diagnosticadas no período pré-natal.  Foram fatores importantes para as taxas de deteção o tipo de anomalia cardíaca e a utilização de protocolos de estudo mais minuciosos com visualização das quatro câmaras, dos tratos de saída e utilização de Doppler colorido. As maiores taxas de deteção observaram-se em estudos realizados em hospitais de cuidados terciários e universitários com elevado nível de formação e diferenciação dos operadores, maior disponibilidade de tempo para a realização dos exames e utilização de ecógrafos de alta resolução.

Este artigo permite perceber que, com as condições e protocolos adequados, é possível a identificação de mais de metade das anomalias cardíacas na ecografia no primeiro trimestre mas é improvável que esta seja capaz de detetar todos os fetos com cardiopatias. A implementação de protocolos para o estudo morfológico do coração no exame ecográfico do primeiro trimestre otimiza a deteção precoce de anomalias cardíacas, principalmente na população de baixo risco.

O foco do rastreio do primeiro trimestre deve ser a deteção de anomalias major que possam ter impacto na tomada de decisões, com consequente aconselhamento e orientação nos cuidados pré-natais.