Por Fernando Jorge Costa | Assistente Hospitalar Graduado de Obstetrícia e Ginecologia / Serviço de Obstetrícia A – CHUC
A hemorragia pós-parto (HPP) mantém-se como causa muito significativa de mortalidade materna a nível global e com incidência crescente.
Este trabalho analisa o risco de recorrência da HPP num contexto temporal longo (50 anos) e relaciona-o com o peso de nascimento e género do recém-nascido, influência paterna vs materna.
O estudo utilizou a base nacional de registos de nascimentos da Noruega, desde 1967. Englobou quase 3 milhões de partos (acima das 22 semanas), de 1967 a 2017.
A HPP ocorreu em 10% dos partos, com uma taxa de cesarianas de 11%. A recorrência é maior nos partos vaginais e, nestes, as induções não alteram os resultados.
O risco de recorrência da HPP é de três vezes num segundo parto e aumenta para o terceiro.
O peso fetal acima de 4000g está diretamente relacionado com maior risco de HPP (fator multiplicativo de 4 dos 4Kg para os 5Kg de peso ao nascimento).
O risco é maior com fetos femininos, mesmo ajustados ao fator peso.
A recorrência de HPP é também superior se o pai é o mesmo, embora com baixo peso estatístico.
Como pontos fortes sublinhamos a amplitude do estudo (numérica e temporal), permitindo uma análise por sub-grupos e validação. Como pontos fracos apontamos os registos serem mais completos apenas após 1999 e a introdução de alguns bias em função de protocolos de prevenção (por exemplo o ácido acetilsalicílico após gestações com pré-eclâmpsia).
Concluímos sublinhando a importância da possibilidade de recorrência na vigilância de grávidas e parturientes com antecedentes de HPP e fetos macrossómicos.