SUGESTÕES DA SEMANA

17/06/2022 — Sugestão da Semana por Ana Teresa Martins | First-trimester diagnosis of congenital cytomegalovirus infection after maternal primary infection in early pregnancy: feasibility study of viral genome amplification by PCR on chorionic villi obtained by CVS

Por Ana Teresa Martins |  Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia Ginecologia – Centro de Responsabilidade Integrado de Medicina e Cirurgia Fetal – Maternidade Dr. Alfredo da Costa/ CHULC, Assistente Convidada da Nova Medical School – Lisboa

O ponto de viragem na monitorização pré-natal da infeção congénita a citomegalovírus (CMV) foi o reconhecimento de que a infeção congênita em crianças afetadas é consequência da embriopatia após a infeção materna no primeiro trimestre de gravidez.

A infeção primária materna (IPM), diagnosticada por serologia materna no início da gravidez, é seguida da administração imediata de valaciclovir (VACV) diminuindo o risco de transmissão vertical, mas o diagnóstico da infeção fetal é feito por pesquisa de CMV no líquido amniótico (LA) a partir das 17 semanas. Este intervalo entre o rastreio positivo e um possível diagnóstico fetal representa uma fonte de ansiedade devastadora.

Com o objetivo de avaliar a viabilidade de amplificação do genoma viral por análise de reação em cadeia da polimerase (PCR) de amostras de trofoblastos obtidas por biópsia de vilosidades coriónicas (BVC) em casos de IPM por CMV no início da gravidez realizou-se este estudo prospetivo. A BVC foi oferecida após CMV-IMP precoce. Todos os casos iniciaram VACV e realizaram amniocentese. A performance diagnóstica do CMV-PCR no trofoblasto foi avaliada, utilizando como padrão de referência a análise PCR do LA.

Efetuaram-se 37 BVC, a CMV-PCR foi positiva em três e negativa em 34. No LA foi positiva em 6 casos (dos quais 3 positivos em BVC) e negativa em 31. A especificidade da análise CMV-PCR do trofoblasto para o diagnóstico de CMV foi de 100% (IC 95%) e o valor preditivo positivo de 100% (IC 95%).

Como limitação a dimensão da amostra. Aguarda–se os estudos em curso, nomeadamente para esclarecimento do prognóstico dos casos discordantes.

Após validação, a BVC poderá vir a ser o teste de diagnóstico seguro (sob VACV) da infeção placentária após IPM precoce, permitindo excluir embriopatia a CMV, ajudando a mitigar a ansiedade dos casais e auxiliar os centros de referência no acompanhamento destas situações.