Por Maria José Monteiro | Assistente Hospitalar de Ginecologia/Obstetrícia, Hospital de Braga E.P.E
Nas últimas décadas tem-se demonstrado uma associação entre eventos maternos adversos e variedades occipito-posteriores (OP) persistentes. Recentemente surgiram os primeiros estudos randomizados (RCT) comparando atitude expectante versus rotação manual, a maioria dos quais reportando uma redução da duração do segundo estadio.
O objetivo principal desta meta-análise, que incluiu 7 RCT e 1402 mulheres, foi avaliar a associação entre parto vaginal espontâneo e a tentativa de rotação manual de OP e occipito-transversas (OT) com atitude expectante. O objetivo secundário foi a avaliação dos outcomes maternos e neonatais.
A rotação manual foi significativamente associada a aumento do parto vaginal espontâneo (RR, 1.09; 95% CI, 1,03-1,16), redução de variedades OP e OT ao nascimento (RR, 0.64; 95% CI, 0,48-0,87) e episiotomia (RR, 0.84; 95% CI, 0,71-0,98). Não existiu associação a parto instrumentado (RR, 0.87; 95% CI, 0,75-1,01), lesão do esfíncter anal (RR, 0.91; 95% CI, 0,41-2,02) ou hemorragia pós-parto (RR, 0.94; 95% CI, 0,59-1,52). A taxa de parto vaginal espontâneo não teve diferença estatisticamente significativa após estratificação por paridade; em contraste, a técnica usada para a rotação afetou os resultados, com significância borderline na técnica de “whole-hand” quando comparada com a técnica de rotação digital. Nenhum dos outcomes neonatais teve diferença entre os dois grupos.
Os resultados obtidos são consistentes com a literatura existente. No entanto, mais estudos são necessários para confirmar e compreender a implicação dos diferentes fatores confusionais antes de qualquer alteração em guidelines sobre gestão de variedades OP. O risco/beneficio parece favorecer a rotação manual, dado a sua baixa taxa de complicações e possível benefício de evicção de um parto instrumentado, este último, não só associado a complicações, mas também a uma perceção negativa do parto pela mulher. Entre as questões mais relevantes será a indicação para rotação: profilática versus terapêutica.