SUGESTÕES DA SEMANA

09/09/2022 — Sugestão da Semana por Elsa Pereira | Ultrasound predictors of adverse outcome in pregnancy complicated by pre-existing and gestacional diabetes

Por Elsa Pereira | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia e Obstetrícia – Hospital da Senhora da Oliveira, Guimarães

A gravidez complicada por diabetes está associada com frequência a desfechos perinatais adversos. A prevenção destes últimos envolve o controle glicémico da grávida e a otimização da idade gestacional e via do parto.

A macrossomia fetal é o único marcador ecográfico em que foi estabelecida associação com maior morbimortalidade perinatal, mas o seu valor preditivo positivo é baixo.

Este estudo retrospetivo avaliou, numa coorte de 1044 grávidas com diabetes (87 pré-gestacional e 957 gestacional) e feto único, a relação entre alguns marcadores ecográficos e a ocorrência de desfechos perinatais adversos. Foi realizada ecografia às 20 e 36 semanas e foram excluídas todas as grávidas com fetos com peso estimado inferior ao percentil 10.

Foram registados eventos adversos em 16,7% dos nascimentos (n=174). A macrossomia fetal (OR 1,85; 95% CI 1,21-2,84), a velocidade de crescimento da circunferência abdominal superior ao percentil 90 (OR 1,54; 95% CI 1,02-2,31), o rácio cérebro-placentar inferior ao percentil 5 (OR 1,92; 95% CI 1,21-3,30), mas não o hidrâmnios (OR 1,53; CI 95% 0,79-2,99), foram associados a maior ocorrência de desfechos perinatais adversos. O risco foi substancialmente superior nos fetos macrossómicos com sinais de redistribuição do fluxo sanguíneo cerebral fetal (OR 6,85; 95% CI 2,06-22,78). Não houve diferenças entre o grupo das grávidas com diabetes pré-gestacional e gestacional.

Não ter sido avaliada a relação destes desfechos com o controle glicémico é uma limitação do estudo.

Há muito tempo que se sabe que o doppler fetal (artéria umbilical e artéria cerebral média) é importante na orientação dos fetos com restrição de crescimento tardio. Este estudo enfatiza que este pode também ser importante na avaliação ecográfica dos fetos de grávidas diabéticas (sobretudo macrossómicos) pois ajuda a diagnosticar os fetos em risco e a otimizar a sua orientação.