Por Cristina Godinho | Assistente Hospitalar Graduada de Ginecologia e Obstetrícia – Centro Hospitalar V N Gaia
Este estudo reforça a importância do diagnóstico ecográfico de anomalias estruturais no primeiro trimestre de gravidez. Estes autores holandeses sublinham a relevância do rastreio ecográfico entre as 11 e 14 semanas, mesmo após a introdução generalizada do rastreio de aneuploidias mais frequentes por DNA fetal livre (cfDNA) no sangue materno, no seu país.
Desde 2007 o rastreio combinado no 1º trimestre e ecografia morfológica no 2º trimestre fazem parte do rastreio pré-natal na Holanda. A introdução em 2017 do rastreio de aneuploidias através de cfDNA levou à diminuição drástica da realização do rastreio combinado e consequentemente do exame ecográfico realizado entre as 11 e 14 semanas. No seu lugar maioritariamente, o rastreio passou a incluir uma ecografia de datação entre as 10 e 11 semanas associada a cfDNA e ecografia morfológica entre as 18 e 20 semanas.
Este estudo demonstra que protelar para o 2º trimestre a primeira avaliação morfológica fetal atrasa o diagnóstico de anomalias “sempre ou potencialmente diagnosticáveis” no 1º trimestre. À semelhança de outros estudos, os autores referem que cerca de metade das anomalias morfológicas detectadas no 2º trimestre poderiam ter sido diagnosticadas na ecografia realizada entre as 11 e 14 semanas. É igualmente reforçada a vantagem da realização de interrupção médica de gravidez mais precoce, caso seja equacionada.
Apesar deste estudo refletir uma realidade diferente da portuguesa alerta para a importância do “timing” da avaliação da ecoanatomia no 1º trimestre, a par do rastreio de aneuploidias por cfDNA.