SUGESTÕES DA SEMANA

23/12/2022 — Sugestão da Semana por Inês Monteiro Rato | Association of Driving Distance to Maternity Hospitals and Maternal and Perinatal Outcomes

Por Inês Monteiro Rato | Assistente Hospitalar de Ginecologia-Obstetricia – Hospital CUF Torres Vedras

Este estudo, realizado nos EUA e que pretendeu avaliar a associação entre a distância residência-maternidade e desfechos maternos e neonatais adversos, desperta a atenção do leitor português dado o panorama atual em Portugal de dificuldade em completar escalas de urgência de Obstetrícia e a possibilidade de encerramento provisório/definitivo de maternidades.

Trata-se de um estudo retrospetivo de coorte em que foram selecionadas gestações ≥ 20 semanas, cujos partos ocorreram no Estado da Pensilvânia entre 2011 e 2015; foram excluídas as transferências inter-hospitalares e distâncias implausíveis. Foi calculada a distância de referência entre a residência da grávida e a maternidade em que ocorreu o parto e avaliados os desfechos maternos e neonatais adversos (transfusão sanguínea, cirurgia não planeada, rutura uterina, histerectomia não planeada, admissão em unidade de cuidados intensivos de adultos ou neonatais (UCI; UCIN).

Foram incluídos 662245 nascimentos e a distância média foi de 11.3Km. A taxa de desfechos neonatais adversos compostos foi de 0.6% e a admissão em UCIN de 8.4%. O aumento da distância à maternidade onde ocorreu o parto esteve significativamente associado ao aumento dos riscos compostos maternos e à admissão em UCIN. As associações persistiram após ajuste para as características da grávida, risco obstétrico, ruralidade e características do bairro habitacional.

Um dos pontos fortes no desenho deste estudo foi o cálculo da distância residência-maternidade ser realizada por rota navegável (ao invés de agregação por áreas ou distâncias no mapa em linha reta).

Este estudo conclui que distâncias mais longas residência-maternidade aumentam o risco de desfechos adversos e, a meu ver, revela a importância de estudos similares serem realizados em Portugal antes de serem tomadas medidas de encerramento de maternidades, sobretudo em áreas descentralizadas.