Por Luísa Pinto | Assistente Hospitalar Graduada Sénior de Obstetrícia e Ginecologia / CHULN
O polihidrâmnios (PH) pode resultar de múltiplas causas como malformações fetais, diabetes gestacional ou isoimunização Rh. Contudo, em cerca de 50% dos casos, este achado é idiopático. A associação entre o polihidrâmnios idiopático e desfechos obstétricos adversos tem sido alvo de controvérsia.
Esta revisão sistemática e meta-análise incluiu 12 estudos prospetivos e retrospetivos, num total de 2392 grávidas com PH e 160135 controlos.
O desfecho primário – morte fetal – foi superior no grupo com PH relativamente ao grupo controlo (OR, 7,64 (95% CI 2.5-23.38). Quanto aos desfechos secundários, verficou-se maior risco de morte neonatal (OR, 8,68 (95% CI, 2,91-25,87), de admissão na UCIN (OR, 1,94 (95% CI, 1,45-2,59), de IA ao 5ºmin< 7 (OR 2,21 (95% CI, 1,34-3,62) e de taxa de cesarianas (OR 2,31 (95% CI, 1,79-2,99) no grupo com PH. Assim, e apesar das suas limitações – inclusão de estudos com amostras de diferentes dimensões e com metodologias distintas, caráter retrospetivo da maioria dos estudos incluídos, diferentes definições de polihidrâmnios, variabilidade inter e intra observador na quantificação do líquido amniótico e não definição da gravidade do PH (ligeiro, moderado ou grave), esta meta-análise põe em causa a recomendação da “Society for Maternal-Fetal Medicine”, que desaconselha uma vigilância pré-natal particular nas grávidas com PH idiopático ligeiro e deve também questionar-nos, até que surjam estudos com evidência mais robusta, sobre a necessidade de uma vigilâcia fetal mais apertada ou da interrupção da gravidez às 39 semanas, nas gestações complicadas por PH idiopático.