Por Ana Isabel Machado | Assistente Hospitalar Graduada| Serviço de Obstetrícia do Centro Hospitalar Lisboa Central
A morte fetal in útero (MFU) após as 20 semanas encontra-se aumentada nas grávidas com diabetes (4- 5 vezes superior ao da população geral) e está relacionada com a hiperglicemia materna, que pode levar a anomalias congénitas, insuficiência placentária e hipoxia fetal.
Os autores neste estudo retrospetivo que incluiu 834631 grávidas, avaliaram o risco de a gravidez terminar em MFU em situações com diabetes prévia e gestacional entre as 34 e as 39 semanas; as gravidezes foram estratificadas de acordo com o peso ao nascer, classificado de acordo com a idade gestacional em leve, adequado ou grande. O RR e o IC para MFU foram calculados para cada semana de gravidez tendo como grupo controlo o com peso ao nascer adequado para idade gestacional.
As taxas de MFU aumentam com o avanço da idade gestacional para as grávidas com diabetes independentemente do peso ao nascer; contudo, comparando com as gestações com peso adequado no parto, os fetos leves e grandes para a idade apresentaram um aumento de risco significativo de MFU em qualquer idade gestacional.
Limitações: na variável diabetes prévia não distingue entre Diabetes tipo 1 e 2 e, nos casos de diabetes gestacional, o tipo de terapêutica realizada.
Em conclusão, este estudo sugere que o crescimento fetal patológico (restrição do crescimento fetal ou macrossomia) nas gestações complicadas por diabetes prévia ou gestacional é um fator de risco para MFU, particularmente nas situações de diabetes pré-gestacional e de fetos leves para a idade gestacional entre as 37 e as 38 semanas de gestação.
Estes resultados oferecem orientações adicionais para os profissionais de saúde sobre a frequência de vigilância, realização de exames complementares pré-natais e “timing” do parto nas gravidezes complicadas por diabetes, estratificada por peso ao nascer.