Por Inês Monteiro Rato | Assistente Hospitalar de Ginecologia-Obstetrícia / Hospital CUF Torres Vedras
Estima-se que a Pré-eclâmpsia (PE) afete 2-8% das gestações, sendo responsável por >70 000 mortes maternas e > 500 000 mortes fetais/ ano. A PE cursa com disfunção endotelial materna e placentária e pode associar-se a restrição de crescimento fetal (RCF), DPPNI, parto-pré-termo (PPT), e morte fetal (MF). Não existindo cura, o rastreio diagnóstico e monitorização da doença são importantes para a implementação de medidas preventivas.
Nas gestações com placentação anómala ocorre remodelação insuficiente das artérias espiraladas e consequente isquémia placentária. O balanço entre factores antiangiogénicos (sFlt-1) e pró-angiogénicos (PlGF) encontra-se alterada o que contribui para as manifestações clínicas da PE e a alteração nas concentrações séricas destes fatores pode ser detetada antes do aparecimento das manifestações clínicas da doença.
Nesta revisão sistemática os autores sumarizam o que se conhece da performance da utilização dos marcadores séricos maternos PlGF, sFlt-1 e a razão sFlt-1/PlGF na prática clínica.
Como principais conclusões, mas não dispensando a leitura atenta do artigo escolhido para esta semana, destacam-se:
– Em gestações simples, no 1º trimestre, a combinação da determinação de PlGF com factores de risco clínicos e marcadores ecográficos aumenta a acuidade do rastreio de PE.
– O ratio sFlt-1/PlGF é 1) clinicamente útil na orientação clínica de grávidas com sintomas inespecíficos de PE já que tem um elevado valor preditivo negativo; 2) um bom marcador na predição de PE na gravidez gemelar (com diferentes cut-offs); 3) tem maior sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de PE do que o uso de PlGF isolado mas 4) sendo útil na predição de RCF e de PPT, a sua associação com morte fetal não é clara.
– Uma vez estabelecido o diagnóstico de PE, a repetição dos doseamentos pode ajudar na monitorização da progressão da doença e na determinação do momento do parto.