SUGESTÕES DA SEMANA

07/07/2023 — Sugestão da Semana por Alexandra Miranda | Impact of fetal growth restriction on pregnancy outcome in women undergoing expectant management for preterm pre-eclampsia

Por Alexandra Miranda | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia, Hospital de Braga; Assistente Convidada da Escola de Medicina da Universidade do Minho

A pré-eclâmpsia precoce é uma complicação obstétrica potencialmente grave. Não obstante, cerca de 60% das grávidas com este diagnóstico são elegíveis para uma atitude expectante.

Estudos prévios sugerem uma média de latência entre 7-14 dias, porém, a coexistência de restrição de crescimento fetal (RCF) pode ter impacto na orientação clínica. O presente estudo consistiu numa análise secundária de um ensaio clínico prospetivo randomizado, tendo como objetivo perceber se a coexistência de RCF influencia o tempo de latência da gravidez em mulheres com pré-eclâmpsia precoce em atitude expectante.

O objetivo secundário era avaliar se a RCF tem impacto na indicação de interrupção da gravidez, via de parto e desfechos adversos maternos e fetais graves. Das 202 mulheres incluídas, 92 (45,5%) apresentava RCF aquando o diagnóstico de pré-eclâmpsia. O tempo de latência mediano da gravidez foi 6,8 dias no grupo RCF e 15,3 dias no grupo controlo (p<0.001). As gravidezes com RCF tiveram maior probabilidade de terminação por suspeita de estado fetal não tranquilizador (64.1% vs 36.4%, RR 1.84) e por cesariana emergente em ausência de trabalho de parto (66.3% vs 43.6%, RR 1.56), apresentando também menos induções de trabalho de parto bem sucedidas (4.3% vs 14.5%, RR 0.32). Não se registaram diferenças nas complicações maternas. O grupo com RCF associou-se a maior taxa de morte neonatal (14.1% vs 4.5%, RR 3.26) e necessidade de entubação e ventilação mecânica (15.2% vs 5.5%, RR 2.97). Como pontos fortes do estudo salienta-se o facto de se tratar de um estudo prospetivo que utilizou uma definição consenso de RCF. Como limitações destaca-se o número relativamente limitado da amostra. Em conclusão, estes resultados são relevantes por demonstrarem que as pré-eclâmpsias precoces associadas a RCF apresentam menor latência até ao parto, mais cesarianas emergentes, menos induções bem sucedidas e maior morbimortalidade neonatal.