SUGESTÕES DA SEMANA

14/07/2023 — Sugestão da Semana por Cecília Marques | Outpatient vs inpatient induction of labor with oral misoprostol: A retrospective study

Por Cecília Marques | Assistente Hospitalar de Ginecologia/Obstetrícia; Hospital de Braga, EPE

A indução do parto é um dos procedimentos obstétricos mais comuns nos dias de hoje. O misoprostol, análogo da prostaglandina E1, tem sido usado off-label para a indução do parto. Angusta® é a primeira preparação oral de misoprostol na dose de 25 microgramas aprovada na Suécia para indução do parto. A indução do parto no domicílio poderá diminuir o tempo de internamento, aumentar a satisfação e conforto das pacientes e reduzir os custos.

Trata-se de um estudo retrospetivo decorrido entre 01/01/2019 e 01/02/2022, em duas maternidades da Suécia, que incluiu 282 grávidas induzidas com misoprostol em contexto de ambulatório que foram emparelhadas com 282 induzidas em contexto hospitalar. Os dois grupos foram comparados no que concerne à taxa de parto vaginal, duração do internamento até ao parto e duração do internamento hospitalar, dose total de misoprostol administrada, complicações maternas e neonatais.

As taxas de parto vaginal foram semelhantes em ambos os grupos (84,8% vs 86,2%; p=0,5). O tempo decorrido desde a hospitalização até ao parto foi significativamente mais curto no grupo da indução no domicílio (12,8 vs 20,6h; p<0,001), bem como o tempo total internamento (2 vs 3 dias; p<0,001). Não se verificaram diferenças em relação aos resultados maternos e neonatais. Uma das principais limitações deste estudo é o facto dos protocolos de indução no domicílio e no hospital serem diferentes, uma vez que as do primeiro grupo tiveram um período noturno de 8h sem administração de misoprostol, bem como a dose usada na indução no domicílio foi de 25mcg enquanto a dose usada em regime hospitalar foi de 40mcg. Assim, iniciar a indução do parto no domicílio parece diminuir o tempo de hospitalização sem afetar a taxa de parto vaginal nem piorar os resultados maternos e neonatais. No entanto, são necessários mais estudos para avaliar a segurança da indução no domicílio com misoprostol.