Por Sara Tavares | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia – Hospital Particular do Algarve
A pré-eclâmpsia (PE) é uma complicação obstétrica que ocorre em cerca de 2 a 8% das gravidezes em todo o mundo. A obesidade é um fator de risco para PE aumentando o risco desta patologia em 3 vezes. Estima-se que 40% dos casos de PE ocorram em grávidas com excesso de peso ou obesidade.
Um estudo recente veio esclarecer a forma como o Índice de Massa Corporal (IMC) e antecedentes de PE podem influenciar a saúde vascular em mulheres.Este estudo pretendeu também esclarecer se o IMC elevado e antecedentes de PE atuam de forma independente ou conjunta nos indicadores de saúde vascular.
Os autores verificaram que tanto o IMC quanto antecedentes de PE têm impactos negativos distintos em indicadores de saúde vascular, como a função endotelial, a espessura íntima-média da carótida (cIMT) e a distensibilidade carotídea (CD).
Os resultados indicam que, embora ambos tenham efeitos individuais na saúde vascular, eles não interagem significativamente nos indicadores avaliados sugerindo que ambos os fatores contribuem de forma independente.
O que este estudo nos traz também de novo é a noção de um sinergismo entre PE e o IMC relativamente ao efeito negativo sob a resistência à insulina.
Resumindo, esta pesquisa fornece uma visão abrangente de como fatores como o IMC e a PE podem ter impacto na saúde vascular das mulheres. Embora a noção de que a PE e obesidade são fatores de risco cardiovascular não seja nova a verdade é que estas mulheres muitas vezes não têm um acompanhamento adequado.
Este estudo reforça a importância de considerar múltiplos elementos ao avaliar o risco cardiovascular e destaca o potencial das intervenções direcionadas para melhorar a saúde cardiovascular das mulheres. Intervenções individualizadas que visem melhorar a resistência à insulina e a aptidão física podem desempenhar um papel fundamental.