SUGESTÕES DA SEMANA

01/09/2023 — Sugestão da Semana por Rui Marques de Carvalho | Uterine artery Doppler in early labor and perinatal outcome in low-risk term pregnancy: prospective multicenter study

Por Rui Marques de Carvalho | Assistente-Graduado de Obstetrícia e Ginecologia – Hospital de Santa Maria/CHULN; Assistente-Convidado da Faculdade de Medicina de Lisboa

É consensual que uma gravidez considerada de “baixo risco” pode, no momento de maior stress fetal, durante o trabalho de parto, assumir características de risco acrescido, sobretudo relativamente ao bem-estar fetal, por oxigenação deficitária, fruto de disfunção placentária sem diagnóstico anteparto conhecido. Neste sentido, a evidência actual sugere que a maioria dos incidentes fetais adversos, incluindo encefalopatia hipóxico-isquémica e mesmo morte fetal, ocorrem em gestações clinicamente rotuladas como de “baixo risco”, incluindo avaliação do crescimento fetal.

Assim, o desenvolvimento e implementação de técnicas que nos permitam rastrear, numa fase inicial do trabalho de parto, grávidas de “baixo-risco” com eventual disfunção placentária, poderão permitir um conjunto de medidas, nomeadamente vigilância estrita e intervenção obstétrica, que possam de alguma forma mitigar este risco acrescido. Este estudo, pelas suas características, corresponde a um avanço importante neste carácter de previsibilidade.

Corresponde a um estudo prospectivo, multicêntrico, que avalia a correlação do IP AU MoM, no início do trabalho de parto e a sua correlação com suspeita de hipoxia fetal, intervenção obstétrica e desfecho perinatal.

Foram avaliadas 804 grávidas, com 5% (40 casos) apresentando IP AU MoM anómalo. As grávidas com intervenção obstétrica por EFNT eram mais frequentemente nulíparas (72,2% vs 53,6%; P=0,008), tiveram uma maior frequência do IP AU MoM anómalo (13% vs 4,4%; P=0,005) e um trabalho de parto mais demorado. Foi ainda demonstrada associação com desfecho perinatal adverso.

A regressão logística demonstrou que o IP AU MoM foi um factor de risco independente para intervenção obstétrica por EFNT.

Concluindo, a avaliação das artérias uterinas numa fase inicial do trabalho de parto pode identificar gestações de “baixo risco” com risco acrescido de hipóxia fetal intraparto.