SUGESTÕES DA SEMANA

22/09/2023 — Sugestão da Semana por Vera Trocado | Potential for Maternally Administered Vaccine for Infant Group B Streptococcus

Por Vera Trocado | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia da Unidade Local de Saúde do Alto Minho – Viana do Castelo

O Streptococcus do grupo B (SGB) é um importante agente causador de doença invasiva neonatal, particularmente sépsis ou meningite. A profilaxia antibiótica intraparto tem uma eficácia superior a 80% na prevenção da doença de início precoce (0 a 6 dias de idade), não tendo impacto na incidência ou gravidade de doença de início tardio (7 a 89 dias), nem nas sequelas associadas à infeção por este agente prévia ao nascimento.

Assim, o desenvolvimento de uma vacina de administração durante a gravidez, poderá não só ter impacto na doença de início tardio, como eliminar a necessidade de efetuar rastreio da colonização e a profilaxia antibiótica durante o trabalho de parto, diminuindo o risco de desenvolvimento de resistências antibióticas e de disrupção do microbioma do feto/recém-nascido/lactente.

Este artigo apresenta-nos um estudo de fase 2 ainda em curso, em que é avaliada a segurança e imunogenicidade de uma dose única de uma vacina polissacárida conjugada hexavalente, GBS6, ainda em investigação, administrada durante a gravidez em 3 diferentes doses (5 µg, 10 µg ou 20 µg).

A vacina GBS6 levou a produção de anticorpos maternos para todos os 6 serotipos incluídos, com ratios de produção de anticorpos no recém-nascido de entre 0.4 a 1.3, dependendo do serotipo e da dose administrada. Após determinação em paralelo dos cutoffs de IgG que determinam redução do risco de doença, verificou-se que 57 a 95% dos recém-nascidos/lactentes obtinham resposta serológica à formulação mais imunogénica.

A incidência de eventos adversos foi semelhante no grupo de mães e recém-nascidos/lactentes nos grupos de administração da vacina e placebo, essencialmente com o desenvolvimento de reações locais.

As implicações clínicas decorrentes deste estudo são óbvias e estão acima descritas. No entanto, as concentrações de anticorpos consideradas potencialmente protetoras foram reportadas em apenas um estudo sero-epidemiológico, pelo que são necessários mais estudos para melhor definir estas relações imunológicas.