Por Inês Martins | Assistente Hospitalar de Ginecologia-Obstetrícia no Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do CHULN-HSM; Assistente convidada de Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
O aquecimento global é atualmente um tema incontornável. Muitas são as potenciais consequências, mas pouco se estudou o impacto na reprodução humana.
Este estudo traz-nos evidência de que a exposição ao calor durante a gravidez é um potencial fator de risco ambiental para morbidade materna grave. Esta relação pode contribuir para o aumento da morbilidade materna a que temos assistido nos últimos anos, juntamente com outros importantes fatores de risco já conhecidos, como a idade avançada e patologia prévia.
A principal patologia diagnosticada foi cardiovascular, cerebrovascular e tromboembólica – sendo mecanismos postulados a depleção de volume e o desequilíbrio eletrolítico, aumentando a inflamação e o estado de hipercoagulabilidade, a frequência cardíaca e o estado metabólico maternos.
As associações observadas são mais expressivas no terceiro trimestre, indicando que o final da gravidez pode ser o período mais sensível ao calor ambiental.