SUGESTÕES DA SEMANA

15/12/2023 — Sugestão da Semana por Joana Barros | Society for Maternal-Fetal Medicine Statement: Clinical considerations for the prevention of respiratory syncytial virus disease in infants

Por Joana Barros | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia // Serviço de Obstetrícia – Hospital da Luz – Lisboa

O virus sincicial respiratório (VSR) é responsável por elevada morbilidade e mortalidade em lactentes. Estima-se que em 2019 o VSR foi responsável por 1 em cada 28 mortes em crianças entre os 28 dias e os 6 meses.

A imunização durante a gravidez pretende diminuir a gravidade da doença no lactente, bem como hospitalização e morte após infeção. Neste sentido, durante a gravidez, preconiza-se atualmente a vacinação contra o vírus influenza, tétano, tosse convulsa e COVID-19.

Recentemente, foi aprovada uma vacina para o VSR para administração na gravidez, desenvolvida pela Pfizer. Trata-se de uma vacina de subunidade proteica recombinante bivalente, que deve ser administrada em dose única de 120 μg a grávidas entre as 32 e 36 semanas de gestação.

A Sociedade de Medicina Materno-Fetal apoia a recomendação do CDC de conferir proteção a todos os lactentes contra a infeção do trato respiratório inferior associada ao VSR, seja através da imunização das grávidas (vacina preF Pfizer) ou imunização direta aos lactentes com o anticorpo monoclonal nirsevimab.

A vacina preF VSR deve ser administrada sazonalmente em grávidas entre as 32+0 e 36+6 semanas de gestação (setembro a janeiro). Deve continuar a ser priorizada a vacinação da população grávida contra a gripe sazonal, COVID-19 e tétano pelo risco concomitante de doença materna. Não existem ainda dados concretos sobre a co-administração da vacina preF VSR com as restantes vacinas recomendadas durante a gravidez, pelo que se pode considerar atrasar a sua administração.

Os profissionais de saúde devem informar as grávidas sobre os benefícios da vacinação incluindo a sua elevada eficácia na proteção imediata do lactente, potencial resistência a mutações virais e potencial imunidade através da amamentação. Contudo, os dados disponíveis não permitem ainda estabelecer ou excluir a eventual associação a parto pré-termo.