Por Bruna Abreu | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia – Hospital Beatriz Ângelo // ULS Loures/Odivelas
As recomendações do Instituto de Medicina dos EUA (IOM) sugerem que para mulheres obesas, o ganho de peso ideal durante a gravidez deve ser de 5 a 9Kg. Contudo, este intervalo é alvo de debate.
Uma coorte conduzida pelo Instituto Karolinska, na Suécia, avaliou a segurança, materna e fetal, da perda ou do ganho de peso gestacional abaixo do recomendado.
Baseou-se nos registros médicos eletrônicos de 15.760 mulheres obesas: 74% com obesidade classe 1, 20,1% com classe 2 e 5,9% com classe 3. Incluiu apenas gravidezes unifetais e as mulheres foram acompanhadas durante um período médio de 8 anos após o parto. Foram analisados dez desfechos adversos consistentemente associados ao ganho de peso gestacional pelo IOM: pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, retenção excessiva de peso pós-parto, doença cardiometabólica materna, cesariana não planeada, parto prematuro, grandes e pequenos para a idade gestacional, morte fetal e infantil. Estes desfechos foram ponderados de acordo com a gravidade e combinados num desfecho adverso composto, definido como a ocorrência de qualquer um destes dez.
Os resultados demonstraram que em mulheres com obesidade classes 1 e 2, o ganho de peso <5 kg não aumentou o risco de desfecho adverso composto, com razões de taxa ajustadas de 0,97 (IC 95% 0,89-1,06) e 0,96 (IC 95% 0,86-1,08), respetivamente. Para mulheres classe 3, o ganho de peso abaixo do recomendado associou-se a uma redução do risco de desfechos adversos, com uma redução do desfecho adverso composto em cerca de 20% em caso de ausência de ganho de peso. Como pontos fortes temos uma amostra robusta e um longo período de seguimento. No entanto, a dependência de registros médicos pode levar a erros de classificação ou ausência de dados. Apesar disso, este estudo poderá ser o pilar para a revisão das recomendações do IOM, sugerindo a necessidade de diretrizes ajustadas.