SUGESTÕES DA SEMANA

16/08/2024 — Sugestão da Semana por Ana Beatriz Godinho | The ratio of soluble fms–like tyrosine kinase 1 to placental growth factor predicts time to delivery and mode of birth in patients with suspected preeclampsia – a secondary analysis of the INSPIRE trial

Por Ana Beatriz Godinho | Assistente Hospitalar Graduada em Ginecologia e Obstetrícia / ULS Arrábida

Este artigo avalia a utilidade clínica do rácio sFLT1/PLGF na predição dos desfechos obstétricos em mulheres com suspeita de pré-eclâmpsia. O rácio sFLT1/PLGF é um marcador bioquímico útil no diagnóstico de pré-eclâmpsia. Uma vez que está associado a disfunção placentária, também pode ser útil na previsão da deterioração clínica fetal e na tolerância fetal ao stress intraparto.

A análise secundária do estudo INSPIRE envolveu a categorização de participantes em três grupos com base nos níveis do rácio sFLT1/PLGF: ≤38, entre 38 e 85, e ≥85. O estudo investigou a relação entre este rácio e o tempo de latência até o parto, a via de parto, o estado fetal não tranquilizador intraparto, a indução do parto e o peso ao nascer.

Os resultados indicam que um rácio sFLT1/PLGF ≥85 está associado a um risco seis vezes maior de cesariana de emergência e três vezes maior de estado fetal não tranquilizador intraparto. Além disso, este rácio elevado correlacionou-se com uma redução no tempo até o parto, menor peso ao nascer, e maior probabilidade de indução do trabalho de parto. Especificamente, a mediana do tempo até ao parto foi de 37 dias para o grupo com rácio ≤38, 13 dias para o grupo entre 38 e 85, e 10 dias para o grupo com rácio ≥85.

Estes achados sugerem que o rácio sFLT1/PLGF pode ser uma ferramenta útil na estratificação de risco em mulheres com suspeita de pré-eclâmpsia, ajudando a prever a deterioração clínica, o estado fetal não tranquilizador intraparto e a via de parto. A identificação precoce de mulheres em alto risco pode melhorar o desfecho clínico e os resultados perinatais.

O estudo destaca a importância do rácio sFLT1/PLGF como biomarcador não apenas no diagnóstico de pré-eclâmpsia, mas também na previsão de complicações no parto, oferecendo um potencial para intervenções mais atempadas.