SUGESTÕES DA SEMANA

22/11/2024 — Sugestão da Semana por Dânia Ferreira | Intrapartum Ultrasound Guidance to Make Safer Any Obstetric Intervention: Fetal Head Rotation, Assisted Vaginal Birth, Breech Delivery of the Second Twin

Por Dânia Ferreira | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia; Unidade Local de Saúde de Braga, EPE

Neste artigo, os autores sumarizam a evidência existente acerca do papel da ecografia intra-parto na assistência a diferentes intervenções obstétricas.

A avaliação clínica do estadio, variedade e posição da apresentação é por vezes subjetiva, pouco precisa e com variabilidade interobservador, quando comparada com a ecografia, considerada o gold standard na localização do occiput. De acordo com a ISUOG, a ecografia intra-parto é recomendada como ferramenta adjuvante em casos de distocia no 1º estadio, já que se revela superior na determinação do plano de descida, progressão, posição e atitude. Além de auxiliar no diagnóstico das variedades não occipito-anteriores, a ecografia parece ter um papel na assistência à manobra de rotação manual do occiput fetal, possibilitando ao operador a visualização da rotação em tempo real e a confirmação da posição final da cabeça. No parto instrumentado, no qual são premissas o conhecimento preciso do estadio, variedade e posição, a ISUOG defende a determinação ecográfica prévia por rotina do occiput fetal, ao passo que o RCOG a defende apenas em casos de avaliação clínica incerta. Ao permitir avaliar indicadores como o ângulo de progressão, a distância cabeça-sínfise ou o ângulo da linha média, a ecografia também poderá ajudar na identificação das mulheres com 2º estadio prolongado que podem beneficiar de tempo adicional de esforços expulsivos por reunirem alta probabilidade de parto vaginal. Permite ainda o diagnóstico de assinclitismo e de apresentações compostas, auxiliando a manobra de redução do membro fetal insinuado. Em partos gemelares com 2º feto não cefálico, a ecografia pode ajudar na identificação do membro inferior fetal mais anterior, auxiliando as manobras de versão interna e posterior extração pélvica.

Para concluir, a ecografia intra-parto tem potencial, não apenas na predição do tipo de parto em casos de distocia e no parto instrumentado, mas também como adjuvante na rotação manual das posições occipito-posteriores e na assistência ao parto pélvico do 2º gémeo.