SUGESTÕES DA SEMANA

07/02/2025 — Sugestão da Semana por Luísa Pinto | Impact of a regional simulation-based training course in the implementation of external cephalic version: intervention study

Por Luísa Pinto | Assistente Hospitalar Graduada Sénior // Diretora do Serviço de Obstetrícia do Hospital de Santa Maria I ULSSM

A incidência de apresentações não cefálicas no termo é de 3-5%. A maioria destes fetos nascem por cesariana, sem tentativa prévia de versão cefálica externa (VCE).

O uso de VCE é recomendado por diversas sociedades científicas, contudo, a sua implementação é ainda muito reduzida em Portugal.

Este estudo de intervenção pioneiro, procurou avaliar se uma formação gratuita baseada no treino no simulador, seguindo um protocolo, aumentaria a adoção da técnica em hospitais que ainda não a realizam e da taxa de sucesso naqueles que já a realizam. Dos 12 hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo convidados a participar, 10 enviaram dois especialistas em Obstetrícia e Ginecologia para receber a formação.

A implementação da VCE foi conseguida em 4 hospitais adicionais nos 2 anos após a formação, não se verificando diferença no número de procedimentos realizados ou na taxa de sucesso naqueles que já realizavam a manobra (45.6% versus 47.9%, p=0.797). O número de partos vaginais após VCE nos 9 hospitais que passaram a realizar a manobra após o treino, variou entre 44 e 100%.

Este estudo salienta o potencial de formações baseadas no treino em simuladores, na implementação da VCE a nível regional.

O treino não é, contudo, a única medida necessária para promover a implementação da VCE em Portugal, e todos os clínicos envolvidos na vigilância de grávidas devem possuir conhecimentos atualizados sobre a taxa de sucesso e o baixo risco de complicações associados a esta manobra, oferecendo-a nos seus locais de trabalho, ou referenciando as grávidas sem contraindicações para locais onde a mesma seja realizada.