Por Andreia Fonseca | Assistente hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia // Serviço de Obstetrícia e Ginecologia, ULS Almada-Seixal
A maturação cervical está indicada quando o colo é desfavorável, contribuindo para melhorar os desfechos da indução do trabalho de parto. Tem um impacto importante na duração do internamento e, subsequentemente, na satisfação materna e nos custos inerentes aos cuidados de saúde.
Este estudo multicêntrico aleatorizado comparou três métodos de maturação cervical: o balão transcervical (B; 75mL), o misoprostol oral (M; 50mcg 4/4h até 6 administrações/dia) e a combinação destes dois métodos (C). Foram incluídas nulíparas com ≥41s de gestação e colo desfavorável. O principal objetivo foi comparar as taxas de cesariana e os desfechos neonatais das diferentes abordagens.
Foram incluídas 273 mulheres. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas taxas de cesariana nem no composto de desfechos neonatais adversos. Contudo, a combinação de métodos associou-se a intervalos significativamente menores entre o início da indução e a fase ativa do trabalho de parto (B-24,5h; M-24,1h; C-10,4h; p<0,01) e entre o início da indução e o parto, respetivamente (B-31,7h; M-37,0h; C-21,7h; p<0,01). A percentagem de grávidas que tiveram um parto vaginal em menos de 24h foi significativamente superior no grupo da combinação (B-31,1%; M-21,1%; C-54,4%; p<0,01). Importa realçar que a dimensão da amostra não foi calculada especificamente para este estudo (primeira parte do projeto publicada previamente – doi:10.1111/aogs.14755), o que comprometeu o poder estatístico da análise. No entanto, a aleatorização e o protocolo de maturação cervical bem construído são pontos fortes. Os resultados deste estudo piloto estão de acordo com outros trabalhos publicados, apontando a combinação de métodos como uma estratégia importante na redução do tempo até ao parto, o que permite otimizar recursos e, provavelmente, melhorar a satisfação materna.