Por Ana Paula Machado | Assistente Graduada de Ginecologia e Obstetrícia – USL de São João, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
A recente recomendação de terminação da gravidez às 39 semanas levou à modificação de práticas obstétricas, condicionando um incremento no número de induções do trabalho de parto. Com este novo paradigma, frequentemente os serviços se deparam com durações mais prolongadas dos internamentos e a consequente sobrelotação dos espaços.
A presente meta-análise visa avaliar a eficácia e segurança da maturação cervical, comparando a utilização de dinoprostona em regime de internamento, com a sonda de Foley (SF) em regime de ambulatório. Foram incluídos três ensaios randomizados, com análise dos dados individuais do paciente, num total de 1636 gravidezes unifetais, com 34 ou mais semanas. O número de pacientes avaliadas no braço da dinoprostona foi de 832 e no braço SF 804. Os desfechos primários foram a obtenção de um parto vaginal, um composto de mau desfecho materno e perinatal.
Este estudo revelou uma eficácia superior em obter um parto vaginal no grupo da dinoprostona em internamento (67,8%), comparativamente com o da SF em ambulatório (61,7%) (aOR 1,30 IC 95% 1,05-1,62). No subgrupo de grávidas com excesso de peso/obesidade, a eficácia da dinoprostona verificou-se ser ainda superior. De realçar que nenhuma das abordagens condicionou um acréscimo de risco de mau desfecho materno ou perinatal, mesmo quando se analisou por subgrupos de distribuição ponderal.
Os autores concluem que em mulheres sem excesso de peso/obesidade, apesar da eficácia ser ligeiramente menor com a SF, a utilização de qualquer um dos métodos é uma opção viável. Este estudo vem reforçar também a segurança da utilização da SF em regime de ambulatório.
Trouxe este estudo apenas para reflexão, pela pertinência que apresenta nos tempos atuais. Os serviços de Obstetrícia encontram-se muito pressionados, tanto pela exiguidade de recursos humanos como por fatores externos. É importante que as grávidas passem o mínimo de tempo internadas sem que isso afete a qualidade de cuidados. Penso que é o momento de se apostar nas maturações cervicais com SF em ambulatório, mais cómodas para as nossas utentes de baixo risco e mais adequadas aos novos paradigmas da Obstetrícia nacional.