SUGESTÕES DA SEMANA

23/05/2025 — Sugestão da Semana por Ana Beatriz Godinho | Update on Management and Outcomes of Monochorionic Twin Pregnancies

Por Ana Beatriz Godinho | Assistente Hospitalar Graduada em Ginecologia e Obstetrícia ULS Arrábida

As gestações gemelares monocoriónicas acarretam um aumento do risco obstétrico, fetal e neonatal. A partilha placentária predispõe a complicações graves e específicas, como a síndrome de transfusão feto-fetal (TTTS), sequência anemia-policitemia (TAPS), crescimento fetal discordante ou restrição de crescimento seletiva (sFGR), sequência de perfusão arterial reversa (TRAP), gémeos acárdicos, monoamnionicidade e morte de um dos fetos com risco para o co-gémeo.

Neste artigo, os autores descrevem as principais complicações associadas à monocorionicidade, o seu diagnóstico e a abordagem terapêutica mais consensual à luz da evidência científica atual.

A determinação precoce da corionicidade é fundamental e deve ser feita por ecografia no primeiro trimestre. É recomendada a vigilância ecográfica seriada a partir de 16 semanas com avaliação do crescimento fetal, volume de líquido amniótico e Doppler de artéria umbilical e cerebral média, fundamentais para o diagnóstico precoce de complicações e realizar ecocardiograma fetal às 18 – 22 semanas pelo aumento do risco de cardiopatias.

O tratamento da TTTS evoluiu significativamente, sendo a ablação por laser das anastomoses placentárias a conduta padrão entre os estágios II a IV, com melhores desfechos perinatais e neurológicos em comparação com a amniodrenagem seriada. A técnica de Solomon, que coagula a linha equatorial placentária, reduz significativamente recidivas e TAPS após laser.

Na TAPS, a vigilância com Doppler da cerebral média é essencial. A abordagem depende da gravidade e da idade gestacional, podendo incluir transfusão intrauterina, nova ablação ou o parto prematuro.

A morte de um feto numa gestação monocoriónica representa risco elevado de morte ou lesão neurológica do co-gémeo, sendo indicada a vigilância com Doppler e ressonância magnética fetal.

A abordagem clínica deve ser assim multidisciplinar, exigindo o diagnóstico preciso da corionicidade, vigilância seriada e acesso atempado a terapia fetal. Apesar da complexidade, a vigilância intensiva em centros de referência proporciona desfechos favoráveis em dois terços dos casos, reduzindo a morbimortalidade fetal.