SUGESTÕES DA SEMANA

20/06/2025 — Sugestão da Semana por Maria de Carvalho Afonso | Induction of labour versus standard care to prevent shoulder dystocia in fetuses suspected to be large for gestational age in the UK (the Big Baby trial): a multicentre, open-label, randomised controlled trial

Por Maria de Carvalho Afonso | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia // Assistente Convidada da Faculdade de Medicina de Lisboa

Sabe-se que fetos macrossómicos (peso fetal (PF) estimado > 4000g) e fetos grandes para a idade gestacional (PF estimado >perc. 90) apresentam um risco aumentado de complicações intraparto, nomeadamente distócia de ombros.

A revisão Cochrane de 2023 demonstrou que a indução do trabalho de parto, em comparação com uma atitude expectante, reduz o risco de distócia de ombros em 40% e o risco de fratura fetal em cerca de 80%. No entanto, os ensaios clínicos incluídos apresentavam heterogeneidade nos critérios de inclusão e nas exclusões, nomeadamente quanto à presença de diabetes prévia ou gestacional.

O Big Baby Trial teve como objetivo avaliar os benefícios e riscos da indução do trabalho de parto a partir das 38 semanas, com o intuito de reduzir o risco de distócia de ombros. O estudo incluiu 2893 grávidas com suspeita de fetos grandes para a idade gestacional, diagnosticada entre 35+0dias semanas e as 38+ 0 dias semanas. As participantes foram aleatorizadas em dois grupos: um submetido a indução do parto entre as 38+ 0 dias semanas e 38+ 4 dias semanas, e outro com atitude expectante, em que não era proposta indução antes das 39+ 4 dias semanas.

Embora a análise intention-to-treat não tenha identificado diferenças estatisticamente significativas no desfecho primário, a análise per-protocol revelou que a indução do parto se associou a uma redução de 38% no risco de distócia de ombros (RR 0,62; IC 95%: 0,41–0,92). Apesar da redução absoluta rondar os 9%, neste grupo assistiu-se a uma diminuição do risco composto de complicações maternas – lacerações perineais de 3º ou 4º grau, lacerações cervicais e hemorragia pós-parto – e, ainda, a uma redução de 21% da necessidade de uma cesariana emergente.

Este estudo, que incluiu um número de casos superior ao total combinado dos ensaios clínicos aleatorizados previamente publicados sobre o tema, demonstrou que o parto a partir das 38 semanas em fetos grandes para a idade gestacional reduz o risco de distócia de ombros, não aumenta o trauma materno (incluindo lacerações graves) e reduz a incidência de hemorragia pós-parto e de cesarianas emergentes.