Por Mariana Torgal | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia // Unidade de Alto Risco Obstétrico do Hospital CUF Descobertas
A indução do trabalho de parto (ITP) é uma intervenção frequente – 25-30% das gravidezes com significativa variação mundial. O método e local ideal em termos de eficácia, segurança e satisfação continua por definir.
Os métodos farmacológicos com prostaglandinas continuam populares, mas surge evidência crescente suportando o uso de métodos mecânicos (cateteres de balão e dilatadores cervicais osmóticos) ou de métodos combinados. Na maioria das maternidades a maturação cervical (MC) e a ITP ocorrem em contexto de internamento, mas a MC em ambulatório está a ganhar popularidade.
Este estudo teve como objetivo primário comparar a eficácia e a segurança da MC em ambulatório vs internamento.
Trata-se de uma revisão sistemática e meta-análise incluindo gestações únicas acima das 33 semanas, independentemente do status das membranas e de antecedentes de cesariana. Incluiu 11 estudos randomizados (2593 grávidas submetidas a MC e ITP).
Não encontrou diferença estatisticamente significativa nas taxas de parto vaginal nem na segurança materna e perinatal entre os 2 grupos (ambulatório vs internamento). A comparação geral entre os métodos (mecânico vs farmacológico) não encontrou diferenças nas taxas de parto eutócico, cesariana por estado fetal não tranquilizador ou falha de ITP/paragem de progressão.
Na MC com método mecânico em ambulatório, as grávidas estavam mais aptas a receber ocitocina quando voltavam ao hospital, utilizaram mais analgesia epidural e tiveram menos acidose neonatal quando comparadas com o mesmo método em internamento. A taxa de hemorragia pós-parto grave foi menor neste grupo mas sem atingir uma diferença estatisticamente significativa. Não houve diferenças quanto ao intervalo de tempo até ao parto, duração do internamento e satisfação da gestante.
Os pontos fortes deste estudo são a análise predefinida e seleção minuciosa dos estudos incluídos, todos com partilha da base de dados. Outro ponto forte é o ajuste de fatores clínicos associados à ITP e a investigação de interações e subgrupos.