SUGESTÕES DA SEMANA

08/08/2025 — Sugestão da Semana por Rita Mendes Silva | Single-dose intravenous iron vs oral iron for treatment of maternal iron deficiency anemia: a randomized clinical trial

Por Rita Mendes Silva | Assistente Hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia – Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e de Medicina da Reprodução da ULS Santa Maria / Docente convidada da Faculdade de Medicina da Faculdade de Lisboa

A ferropenia na gravidez é bastante prevalente (estima-se que ocorra em 38% das gestações na população portuguesa), tendo como principal risco a ocorrência de anemia ferropénica com potenciais riscos maternos e fetais associados (transfusão sanguínea, descolamento prematuro de placenta normalmente inserida, restrição de crescimento, parto pré-termo, entre outros). Em Portugal preconiza-se o rastreio da anemia ferropénica e da ferropenia nos três trimestres, sendo a primeira linha a suplementação oral de ferro.

Este estudo aleatorizado e controlado, foi realizado na Índia com mais de 4.300 grávidas e comparou a eficácia de várias estratégias de suplementação de ferro em grávidas com anemia ferropenica: dois tipos de formulações de ferro intravenoso (carboximaltose férrica e derisomaltose férrica, dose única na gravidez) vs tratamento convencional por via oral. Os resultados sugeriram que a administração única de carboximaltose férrica reduziu significativamente a incidência de recém-nascidos com baixo peso (<2500g) (RR 0,87 [0.75,0.99]), comparativamente ao ferro oral, bem como na obtenção de um estado não anémico durante a gravidez (RR 1,24 [1,12-1,38]). A principal contribuição deste trabalho reside na demonstração de que uma única dose de ferro intravenoso pode não só simplificar o tratamento, melhorar a adesão terapêutica, bem como também melhorar desfechos neonatais, mostrando ter um perfil de segurança bastante favorável. Este estudo tem a particularidade de ter sido realizado num contexto de um país com recursos limitados, numa população com baixo IMC (maioria das mulheres <20 Kg/m2) e potenciais défices vitamínicos adicionais, pelo que estes achados não se podem naturalmente aplicar na nossa prática clínica de forma direta. Contudo, este trabalho constitui ainda assim um contributo relevante para se ponderar repensar a abordagem mais correta na gestão da ferropenia na gravidez, sobretudo numa realidade que é cada vez mais multicultural.