Por Ana Edral | Assistente Hospitalar de Ginecologia e Obstetrícia na Unidade Local de Saúde do Algarve – Faro
O estudo ASPRE veio provar que o ácido acetilsalicílico (AAS), em dosagens superiores a 100mg/dia, diminui o risco de pré-eclâmpsia (PE) pré-termo nas pacientes cujo rastreio apresenta risco aumentado de PE de acordo com o algoritmo da Fetal Medicine Foundation.
Numa análise secundária não houve evidência de benefício do AAS na prevenção da PE pré-termo nas pacientes com hipertensão arterial crónica (HTc).
Nesta research letter, os autores descrevem uma análise post hoc do estudo ASPRE, para determinar o risco cumulativo de PE na gestação na população com HTc.
No estudo inicial, 7% da população tinha HTc (110 de 1620 participantes), destas, 45% cumpriu profilaxia com AAS e 55% placebo. Não havia diferenças estatisticamente significativas nas caraterísticas dos grupos.
Nas mulheres com HTc, o AAS desviou o risco de parto com PE para idades gestacionais mais avançadas, mas de modo insuficiente para prevenir a PE pré-termo (idades gestacionais médias 35,6 e 30,5 semanas nas populações que tomaram AAS e placebo, respetivamente).
Esta análise secundária demonstrou que o AAS desvia a idade gestacional de instalação da PE nas mulheres com HTc tal como faz na restante população do estudo, mas não o suficiente para prevenir PE pré-termo.
As maiores limitações do estudo são o tamanho da amostra e o facto de não ter sido desenhado especificamente para este fim, contudo, parece haver benefício em administrar AAS nas mulheres com HTc de modo a atrasar a instalação da doença e melhorar desfechos obstétricos e neonatais.